A Prefeitura do Rio deu início nesta quinta-feira (16) ao Programa Tolerância Zero, nova política permanente de ordenamento urbano para a orla da Zona Sul. No primeiro dia da operação, agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) apreenderam 11 carrocinhas, cinco triciclos e três veículos utilizados como depósitos irregulares por vendedores ambulantes.
A fiscalização ocorreu ao longo dos cerca de oito quilômetros entre o Leme e o Leblon e também resultou na apreensão de 108 bebidas e 136 alimentos sem comprovação de procedência ou nota fiscal.
Segundo a prefeitura, o objetivo da operação é combater o comércio irregular, recuperar o espaço público e impedir a reocupação das áreas fiscalizadas.
Durante o primeiro dia da operação, a Seop abordou 88 ambulantes que atuavam na orla. Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, os agentes verificaram o licenciamento dos vendedores, permitindo que aqueles com autorização continuassem trabalhando normalmente.
Apesar da força-tarefa, agentes relataram que o número de ambulantes encontrados foi pequeno ao longo do dia. A avaliação é que muitos vendedores deixaram de trabalhar devido ao reforço da fiscalização. A quinta-feira também foi marcada por temperaturas mais amenas na capital.
Ao anunciar o Programa Tolerância Zero, na semana passada, a Prefeitura do Rio informou que investigações identificaram a atuação de facções criminosas na exploração de vendedores ambulantes irregulares. Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, grupos criminosos cobrariam taxas entre R$ 200 e R$ 300 para permitir que comerciantes ocupem pontos no calçadão da orla. Ainda de acordo com a prefeitura, cerca de mil ambulantes irregulares atuam atualmente na Zona Sul. Desse total, aproximadamente 20% seriam estrangeiros. O município também afirma ter identificado 22 depósitos utilizados para armazenar mercadorias de forma irregular.
Protestos
Dezenas de camelôs realizaram um protesto no fim da tarde desta quinta-feira (16) e bloquearam duas faixas da Avenida Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O ato começou por volta das 17h40, no sentido Leme, e provocou retenções no trânsito. Apenas uma faixa da avenida permaneceu liberada para a circulação de veículos, enquanto policiais militares acompanharam a manifestação com viaturas e motocicletas.
O protesto contou com a participação de vendedores que utilizam motos elétricas para transportar mercadorias pelas praias da Zona Sul. Durante a manifestação, os participantes entoaram palavras de ordem como “Somos trabalhadores, não criminosos“, “Sou camelô, sou seu amigo. Mexeu com eles, mexeu comigo”, “O camelô não é ladrão” e “Queremos trabalhar”. Os manifestantes afirmam que a operação compromete o sustento de centenas de trabalhadores que atuam diariamente na orla carioca.








