O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que a Venezuela só poderá comprar produtos fabricados nos EUA com o dinheiro obtido da venda de petróleo sob supervisão de Washington. O anúncio foi feito horas depois de o secretário de Energia, Chris Wright, declarar que o governo americano pretende controlar as futuras vendas de petróleo venezuelano e manter os recursos arrecadados em contas nos Estados Unidos.
Segundo Trump, os valores obtidos com o acordo petrolífero serão usados para a compra de produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos produzidos nos EUA, com foco na melhoria da rede elétrica e das instalações de energia da Venezuela. A declaração foi publicada pelo presidente em sua plataforma Truth Social.
Chris Wright afirmou que, inicialmente, os barris comercializados virão do petróleo que a Venezuela mantém estocado, cujo volume aumentou em razão do bloqueio imposto pelos EUA. De acordo com o secretário, a estratégia é colocar esse petróleo novamente no mercado e, posteriormente, vender de forma contínua a produção venezuelana.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que os Estados Unidos já iniciaram a comercialização do petróleo bruto venezuelano e que a receita ficará retida em contas do Tesouro americano. Segundo ela, a medida visa proteger os recursos de credores e beneficiar tanto o povo americano quanto o venezuelano.
Trump também tem pressionado empresas petrolíferas dos EUA, como Chevron, ConocoPhillips e Exxon Mobil, a reconstruírem a infraestrutura da Venezuela e reativarem a produção. De acordo com a Casa Branca, o presidente deve se reunir com executivos do setor de energia nos próximos dias.
Após as declarações americanas, a estatal PDVSA informou que negocia com os Estados Unidos a venda de volumes de petróleo, em um modelo semelhante ao acordo firmado com a Chevron. A empresa destacou que o processo ocorre dentro de esquemas já utilizados com companhias internacionais.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, explicou que Washington estruturou um plano em três fases para a Venezuela. A primeira etapa prevê a estabilização do país; a segunda inclui a recuperação econômica, com acesso de empresas americanas e de outros países ao mercado venezuelano; e a terceira contempla a transição política.
Segundo Rubio, parte do plano envolve a retirada de 30 a 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, que seriam vendidos a preços de mercado, com a receita controlada pelos Estados Unidos. O objetivo, de acordo com ele, é evitar o caos no país e estruturar um caminho após a queda do ex-presidente Nicolás Maduro.
Com a captura de Maduro e a posse interina de Delcy Rodríguez, o governo americano passou a exercer forte influência sobre as decisões em Caracas. Enquanto isso, a oposição venezuelana segue fora do processo político, com seus principais líderes no exílio e sem participação direta na condução da transição.






