Uma análise técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou, no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, as publicações denunciadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O relatório foi encaminhado nesta segunda-feira (12/10) ao presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que havia determinado uma avaliação urgente do conteúdo.
O levantamento foi realizado pela Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do tribunal. A equipe examinou as mensagens publicadas entre os dias 2 e 11 de outubro e informou que não localizou reproduções idênticas ou semelhantes às afirmações questionadas no processo.
A campanha de Flávio Bolsonaro acusa o canal, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), de disseminar informações falsas e promover ataques contra o candidato à Presidência. Entre os conteúdos citados na denúncia estão publicações sobre benefícios sociais, aposentadorias e a suposta intenção de Flávio de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Com base na denúncia, Nunes Marques havia determinado, no domingo (11/10), a suspensão do canal, que reúne mais de 3 milhões de usuários. A medida, porém, foi suspensa pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que autorizou o restabelecimento provisório da página e encaminhou o caso para análise urgente do tribunal.
O relatório técnico acrescenta um novo elemento à disputa judicial, mas não representa uma decisão definitiva sobre todas as acusações. A análise se limitou ao período examinado e às afirmações mencionadas no processo.
O caso também provocou manifestações políticas. Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a atuação de Nunes Marques e afirmou que o comando do TSE não deve tomar partido na disputa eleitoral. Janones nega usar o canal para divulgar notícias falsas e afirma que o espaço serve para mobilizar apoiadores e orientar eleitores.
A Justiça Eleitoral ainda deverá avaliar os argumentos e as provas apresentados pelas partes antes de decidir sobre o caso.








