Ouça agora

Ao vivo

Reproduzir
Pausar
Sorry, no results.
Please try another keyword
Diretor de carnaval da Acadêmicos de Niterói morre no Rio
Carnaval
Diretor de carnaval da Acadêmicos de Niterói morre no Rio
Morre Charlô Quartim Barbosa, ex-administrador do banco Comind
Geral
Morre Charlô Quartim Barbosa, ex-administrador do banco Comind
Deportações de brasileiros dos EUA quase dobram e atingem recorde em 2025
Mundo
Deportações de brasileiros dos EUA quase dobram e atingem recorde em 2025
Janeiro Seco ganha força e médicos destacam benefícios de um mês sem álcool
Saúde
Janeiro Seco ganha força e médicos destacam benefícios de um mês sem álcool
Banhista comemora prisão de Bolsonaro durante entrada ao vivo da Globo no litoral do Paraná
Geral
Banhista comemora prisão de Bolsonaro durante entrada ao vivo da Globo no litoral do Paraná
Alistamento militar de 2026 começa em todo o Brasil e abre adesão voluntária para mulheres
Empregos
Alistamento militar de 2026 começa em todo o Brasil e abre adesão voluntária para mulheres
Mamdani assume Prefeitura de Nova York e promete restaurar confiança na democracia
Mundo
Mamdani assume Prefeitura de Nova York e promete restaurar confiança na democracia

Túnéis do Rio falham em requisitos básicos de segurança, aponta Crea-RJ

Apenas 15 dos 28 túneis têm ARTs em 20 anos; falhas vão de ventilação a rotas de fuga.

Siga-nos no

Uma vistoria realizada por engenheiros do Crea-RJ reacendeu o debate sobre a segurança dos túneis cariocas. Após o incêndio no Túnel Rebouças, que travou o trânsito da cidade na semana passada, especialistas percorreram oito túneis do Rio e encontraram um cenário preocupante: estruturas sem ventilação adequada, sem recuos para veículos, sem telefones de emergência e sem sistemas eficientes de alarme, hidrantes e rotas de fuga.

O levantamento mostra que, nos últimos 20 anos, apenas 15 dos 28 túneis da cidade tiveram Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) emitidas — um documento básico que registra o responsável técnico pelas obras. Treze túneis nunca tiveram uma ART sequer. Entre eles estão o da Rua Alice, de 1886; o Alaor Prata, em Botafogo; o Engenheiro Marques Porto, em Copacabana; e o José Alencar, na Grota Funda.

Segundo o presidente do Crea-RJ, Miguel Fernández, a falta de registros não significa risco iminente, mas evidencia um problema de gestão: “Os túneis são a veia da cidade. Sem manutenção contínua, o colapso é certo”. Ele destaca que, em estruturas muito antigas, a modernização completa pode ser inviável, tornando a manutenção constante ainda mais essencial.

Durante a inspeção, o pior quadro foi encontrado no Túnel João Ricardo, na Gamboa, de 1919. Escavado diretamente na rocha, ele apresenta infiltrações generalizadas, risco de erosão, fios expostos e ausência total de ventilação — mesmo após um incêndio registrado há quatro meses. O Túnel Santa Bárbara também preocupa, com danos estruturais e ventilação fora dos padrões.

Já o Rebouças, apesar do incêndio recente, apresentou boas condições visuais, embora exija ampliação do sistema de ventilação no sentido Centro. O cenário mais promissor é o da Covanca, na Linha Amarela, onde a concessionária instalou extintores, sirenes, megafonia e painéis de mensagem, e planeja hidrantes em 2026.

Especialistas defendem que a cidade avance para soluções como sensores inteligentes, ventilação automatizada e “gêmeos digitais”, que simulam incêndios e infiltrações e permitem intervenções rápidas. “Modernizar não é problema técnico; é decisão e continuidade”, afirma o professor Alexandre Landsman, da Coppe/UFRJ.

A prefeitura admite o estado crítico do Túnel João Ricardo e promete um edital emergencial. Diz ainda que monitora as galerias com mais de 120 câmeras, algumas com identificação de fumaça por inteligência artificial. Em 2022, foram investidos R$ 140 milhões em readequação de túneis, e há previsão de mais R$ 15 milhões até 2026.

O Corpo de Bombeiros, que vistoriou 25 túneis, concluiu que apenas dois — Via Binário e Marcello Alencar — estão regularizados. A fiscalização insuficiente também preocupa. Para enfrentar o problema, o vereador Pedro Duarte, com apoio do Crea-RJ, propôs a criação de laudos independentes obrigatórios a cada cinco anos.

O engenheiro Francisco Filardi lembra que parte dos problemas — como a ausência de ventilação no Zuzu Angel — são conhecidos há mais de meio século. “São decisões políticas antigas que seguimos carregando”, diz.