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Um policial morreu a cada cinco dias na Região Metropolitana do Rio em 2025

Levantamento aponta maior número de agentes baleados em três anos

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Um policial morreu a cada cinco dias na Região Metropolitana do Rio de Janeiro em 2025. Ao todo, 67 agentes das forças de segurança foram assassinados no período, número que representa um aumento de 55% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte de um levantamento exclusivo do Instituto Fogo Cruzado, a pedido da Agenda do Poder.

Entre mortos e feridos, foram registrados 155 casos envolvendo policiais baleados, o que equivale, em média, a um agente atingido por disparos a cada dois dias. É o maior índice registrado nos últimos três anos e reforça o agravamento da violência armada no estado.

Segundo o coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado, Carlos Nhanga, o crescimento está diretamente relacionado ao aumento de agentes baleados durante operações policiais, o que contraria a tendência histórica de ocorrências envolvendo policiais fora de serviço.

“Quando sai de casa, a população do Rio precisa se preocupar com o trânsito, com a previsão do tempo e também com a possibilidade de ser vítima de bala perdida. Vivemos uma lógica bélica, com facções e milícias produzindo violência, e o Estado, ao tentar conter, acaba gerando ainda mais confrontos. No fim das contas, está todo mundo na linha de tiro”, afirma Nhanga.

O levantamento aponta que uma megaoperação realizada no Complexo do Alemão e na Penha, no fim de outubro, teve impacto direto nos números de 2025. A ação deixou ao menos 122 mortos e resultou em cinco agentes das forças de segurança assassinados e 14 feridos — o equivalente a 12% de todos os casos registrados no ano.

Do total de 67 policiais mortos, 41 estavam fora de serviço, 17 participavam de operações e nove eram aposentados ou exonerados. A Polícia Militar lidera o número de vítimas fatais, com 49 mortes, seguida pela Polícia Civil, com nove, e pelo Exército, com quatro.

Para o cientista social Robson Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, o cenário é reflexo direto da disputa permanente por controle territorial no Rio de Janeiro.

“No Rio, há uma fragmentação do poder criminoso e uma disputa constante entre facções e milícias. Sem um plano consistente de recuperação desses territórios, o conflito tende a se intensificar”, avalia Rodrigues, que também é coronel da reserva da Polícia Militar.

O antropólogo e ex-capitão do Bope Paulo Storani associa o aumento das mortes à redução do efetivo policial e à escassez de recursos.

“A polícia opera no limite da sua capacidade, tentando conter o avanço da criminalidade em áreas de difícil acesso, onde o domínio territorial virou um grande negócio. A população local acaba sendo usada como escudo, e o medo se transforma em instrumento de controle”, explica.

Já o sociólogo Daniel Hirata, coordenador do Grupo de Novos Ilegalismos da UFF, defende que as operações precisam ter estratégias claras para reduzir os riscos dos confrontos armados.

“As ações das forças de segurança precisam considerar, desde o planejamento, a contenção dos impactos colaterais. Caso contrário, seguimos reproduzindo ciclos de violência”, afirma.

Na mesma linha, o sociólogo Ignacio Cano faz um alerta sobre a naturalização dos tiroteios na cidade.

“A probabilidade de confronto é elevada em uma política pública baseada em trocas de tiros. Nenhum lugar do Rio está plenamente livre disso. Continuamos vivendo na cidade dos tiroteios”, conclui.