Cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, entre 12 e 17 anos, foram vítimas de violência sexual facilitada pela tecnologia no período de um ano. O dado faz parte do relatório “Disrupting Harm in Brazil”, divulgado pelo UNICEF.
A pesquisa ouviu 1.029 jovens, além de pais e responsáveis, em entrevistas realizadas entre novembro de 2024 e março de 2025. Segundo o estudo, 19% dos adolescentes relataram ter sofrido algum tipo de abuso ou exploração sexual no ambiente digital nos 12 meses anteriores.
Entre os casos, 14% disseram ter recebido conteúdo sexual não solicitado. Em quase metade das situações, o agressor era alguém conhecido da vítima. Mesmo assim, 34% afirmaram não ter contado a ninguém sobre a violência sofrida.
O levantamento aponta ainda que 66% dos episódios ocorreram exclusivamente em ambientes online, principalmente em redes sociais e aplicativos de mensagens. Plataformas como Instagram e WhatsApp estão entre as mais citadas.
O estudo também alerta para impactos na saúde mental: vítimas apresentam níveis mais elevados de ansiedade, maior risco de autolesão e probabilidade significativamente maior de relatar pensamentos suicidas.
Diante desse cenário, entra em vigor no dia 17 de março a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente, conhecida como ECA Digital. A nova norma obriga plataformas a reforçar mecanismos de verificação de idade e a remover rapidamente conteúdos abusivos, prevendo multas que podem chegar a R$ 50 milhões e até a suspensão das atividades.






