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Uso de ônibus como barricadas mais que dobra no Rio, mesmo com protocolo

Estratégia tem se repetido e medidas anunciadas ainda não contêm avanço.

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reprodução

O uso de ônibus como barricadas por criminosos tem se tornado cada vez mais frequente no Rio de Janeiro, mesmo após a criação de um protocolo para tentar evitar esse tipo de ação durante operações policiais. Só na operação desta semana, sete veículos foram atravessados em vias como forma de retaliação.

Levantamento mostra que o número de casos mais que dobrou de um ano para o outro: passou de 119 registros em 2024 para 254 em 2025. Considerando apenas os três primeiros meses, foram 30 ônibus usados como barricadas em 2024, 40 no ano passado e, em 2026, mesmo antes do fim de março, já são 39 ocorrências.

Casos recentes mostram a repetição da estratégia. Na última segunda-feira, cinco ônibus tiveram as chaves retiradas e foram atravessados para bloquear o trânsito na região da Praça Seca, na Zona Oeste. Em agosto do ano passado, 12 coletivos foram usados como barricadas na Ilha do Governador, e um deles chegou a ser incendiado. Nesta quarta (18), ônibus foram usados como barricadas no Rio Comprido, na Zona Norte, após ação policial no Morro dos Prazeres. Pelo menos um foi incendiado.

Após a sequência de ataques registrada em 2025, autoridades anunciaram medidas para tentar conter a prática. Representantes da Polícia Militar e do sindicato Rio Ônibus se reuniram e criaram um grupo de trabalho para discutir soluções e aumentar a segurança de passageiros e motoristas.

Na ocasião, o então secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, afirmou que o objetivo era fazer um diagnóstico do problema e melhorar a atuação operacional e de inteligência. Já o diretor de comunicação do Rio Ônibus, Paulo Valente, disse que o setor colocaria seus recursos à disposição para ajudar nas ações preventivas.

Uma semana depois, a Polícia Militar anunciou um protocolo que previa a comunicação prévia das operações ao Rio Ônibus, para que o sindicato pudesse avaliar riscos, reorganizar linhas e informar a população.