O governo da Venezuela acusou neste sábado (03) a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de promover uma agressão militar gravíssima contra o país. Segundo o regime de Nicolás Maduro, alvos localizados na capital, Caracas, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira foram atacados durante a madrugada.
Em comunicado oficial, o governo venezuelano afirmou que a ação constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos artigos 1 e 2, que tratam do respeito à soberania, da igualdade jurídica entre os Estados e das restrições ao uso da força. O texto sustenta ainda que os ataques colocam em risco a paz e a estabilidade internacional e solicita um posicionamento da comunidade internacional diante dos acontecimentos.
Explosões durante a madrugada
Relatos de moradores e fontes locais indicam que ao menos sete explosões foram ouvidas por volta das 2h deste sábado em diferentes pontos de Caracas. Os ruídos foram descritos como semelhantes ao sobrevoo de aviões militares, gerando pânico em áreas residenciais próximas aos locais atingidos.
Segundo informações obtidas na capital, explosões teriam ocorrido na base aérea de La Carlota e no Forte Tiuna, considerado o maior complexo militar do país e frequentemente descrito como o equivalente venezuelano ao Pentágono. Nos últimos meses, circularam informações de que Maduro estaria vivendo no local com a família.
Alvos estratégicos na capital
La Carlota é a principal base da Força Aérea venezuelana em Caracas e fica próxima a bairros de classe média e média alta, na região leste da cidade. No local operam aeronaves militares de pequeno porte, o que aumentou a apreensão entre moradores durante a madrugada.
Outras fontes diplomáticas indicaram que uma base militar em La Guaira, próxima ao aeroporto internacional de Maiquetía, também teria sido atingida. A extensão dos danos nesses pontos ainda não foi oficialmente detalhada pelas autoridades.
Quartel histórico e palácio presidencial
De acordo com fontes em Caracas, o chamado Quartel da Montanha, onde está enterrado o líder bolivariano Hugo Chávez, foi outro alvo da ofensiva. O complexo está localizado na favela 23 de Janeiro, uma das maiores da capital, região historicamente ligada ao chavismo.
Há ainda relatos de que o Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, também teria sido atacado. As informações, no entanto, ainda não foram confirmadas oficialmente.
Imagens e apagões na cidade
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios e colunas de fumaça em diferentes pontos da cidade, especialmente nas zonas sul e leste. Apesar da ampla circulação dos vídeos, ainda não foi possível verificar a autenticidade ou a localização exata das explosões registradas.
Uma equipe da rede americana CNN informou que algumas áreas de Caracas ficaram sem energia elétrica após os ataques. A correspondente na capital, Osmary Hernandez, relatou que uma das explosões foi tão intensa que fez sua janela tremer.
Escalada de tensão com Washington
Os ataques ocorrem após uma sequência de declarações do presidente americano, que havia enviado uma frota de navios de guerra ao Caribe, mencionado publicamente a possibilidade de ações militares em território venezuelano e afirmado que os dias de Maduro no poder estavam contados.
Na última segunda-feira, Trump também declarou que forças americanas destruíram uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, o que teria representado o primeiro ataque terrestre dos Estados Unidos em solo venezuelano, aprofundando ainda mais a tensão entre os dois países.






