O governo da Venezuela anunciou nesta sexta-feira a retomada das relações
diplomáticas com os Estados Unidos, quase sete anos após o rompimento formal entre os dois países. A decisão foi divulgada dias depois dos ataques registrados em Caracas e da captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Em comunicado oficial, Caracas afirmou ter sido vítima de uma “agressão criminal, ilegítima e ilegal” contra seu território e sua população. O governo venezuelano reforçou a denúncia em fóruns internacionais e afirmou que a reaproximação busca abrir um canal institucional para tratar das consequências dos episódios recentes.
Denúncia internacional e discurso de soberania
Segundo a nota, a retomada das missões diplomáticas tem como objetivo discutir os impactos da operação americana e do que o governo classifica como “sequestro” do chefe de Estado e da primeira-dama, além de definir uma agenda mínima de interesse mútuo entre os dois países.
“O caminho legítimo para defender a soberania, restaurar o direito internacional e preservar a paz é a diplomacia”, afirma o texto, citando declarações da presidente interina Delcy Rodríguez. O governo venezuelano sustenta que a chamada Diplomacia Bolivariana de Paz será o eixo das negociações.
Mortes em operação e acusações aos EUA
Ainda de acordo com o comunicado, mais de cem pessoas, entre civis e militares, teriam morrido durante a operação do último sábado, número que Caracas atribui a uma “flagrante violação do direito internacional”. As acusações ampliaram a tensão diplomática e motivaram novos apelos da Venezuela a organismos multilaterais.
As relações entre os dois países estão rompidas desde 2019, quando os Estados Unidos retiraram todo o pessoal diplomático de Caracas, após deixarem de reconhecer a reeleição de Maduro em 2018. Desde então, os contatos oficiais passaram a ser feitos a partir da Colômbia.
Delegação americana chega a Caracas
Paralelamente ao anúncio venezuelano, uma equipe de autoridades americanas chegou a Caracas nesta sexta-feira. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o grupo é formado por diplomatas e agentes de segurança da Unidade de Assuntos da Venezuela, com sede em Bogotá, incluindo o encarregado de negócios John T. McNamara.
O objetivo da missão é realizar uma avaliação inicial sobre segurança,
infraestrutura e viabilidade de uma eventual reabertura da embaixada dos Estados Unidos no país. Um porta-voz afirmou que a retomada das operações dependerá de avaliação técnica e de autorização do presidente Donald Trump.
Possível reabertura da embaixada
O governo venezuelano confirmou a chegada da delegação americana e informou que também enviará representantes diplomáticos a Washington para cumprir tarefas equivalentes em território americano. Apesar disso, fontes ouvidas pela AFP ressaltam que ainda não há decisão formal sobre a reabertura da embaixada dos EUA em Caracas.
A visita marca a primeira presença oficial de diplomatas americanos na capital venezuelana desde a suspensão das operações, em março de 2019. Até o momento, não há previsão de encontros diretos entre os enviados dos EUA e integrantes do governo interino, e eventuais reuniões seguem em fase preliminar de discussão.






