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Violência armada eleva atendimentos a baleados nos hospitais municipais do Rio; casos entre idosos mais que dobram

Rede municipal atendeu 1.836 feridos por arma de fogo em 2025; gastos chegaram a R$ 21 milhões, segundo a Secretaria de Saúde

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Reprodução

A violência armada voltou a pressionar a rede municipal de saúde do Rio de Janeiro em 2025, com um aumento de 66,3% no número de atendimentos a vítimas de arma de fogo. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, ao longo do ano, 1.836 pessoas baleadas deram entrada em hospitais municipais, um aumento em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.104 casos.

Entre as unidades da rede municipal, o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, liderou o número de atendimentos, com 446 baleados ao longo do ano. Em seguida aparecem o Hospital Salgado Filho, no Méier, com 254 casos, e o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, que registrou 177 atendimentos.

O avanço acendeu o alerta para o impacto da violência armada tanto no sistema de saúde quanto na vida de grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos. Os dados mostram que os homens representam 83,7% dos atendidos e que 60% das vítimas têm entre 20 e 39 anos, faixa etária mais exposta aos episódios de violência armada.

O relatório, no entanto, chama atenção para o crescimento de casos fora desse perfil: 53 crianças com menos de 11 anos foram atingidas por projéteis ao longo de 2025, enquanto os atendimentos a idosos mais que dobraram, passando de 49 em 2024 para 111 casos no ano passado, um aumento de 126%.

Na ponta do sistema, médicos relatam uma rotina marcada por sobrecarga e casos graves. Para o neurologista Thiago de Albuquerque Cursino, chefe de equipe do Albert Schweitzer, a unidade recebe pacientes de bairros como Realengo, Bangu e Padre Miguel, além de áreas com grande concentração populacional, o que ajuda a explicar o alto volume de ocorrências.

“Perfuração por arma de fogo é uma tragédia para o paciente e para a família”, afirmou.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, cada ocorrência mobiliza centros cirúrgicos, equipes médicas e estruturas complexas para situações que poderiam ser evitadas com políticas de prevenção.

“São recursos que poderiam ser usados para construir quatro Clínicas da Família ou para reformar hospitais”, afirmou.Apesar do crescimento no número de atendimentos na rede municipal do Rio, a Secretaria de Segurança Pública informou que, no recorte estadual, houve queda no número de vítimas de armas de fogo, de 5.070 em 2024 para 4.959 em 2025, uma redução de cerca de 2%. A pasta destacou que mantém ações de combate ao crime, com operações policiais, policiamento ostensivo e investigações.