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Violência doméstica se repete para 66% das mulheres atendidas na rede de saúde

Atlas da Violência revela que duas em cada três vítimas já haviam sofrido agressões antes de buscar ajuda médica

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A violência doméstica continua sendo marcada pela repetição de agressões e pela dificuldade de romper o ciclo de abusos. É o que mostra o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o levantamento, duas em cada três mulheres atendidas na rede de saúde por violência doméstica em 2024 já haviam sido vítimas de agressões anteriores. Das 186,1 mil mulheres atendidas, mais de 100 mil relataram que não era a primeira vez que sofriam violência, o que representa 66,2% dos casos com informação registrada.

Os dados indicam que, em média, 276 mulheres por dia procuraram atendimento médico após sofrerem agressões recorrentes. Outras 51,4 mil vítimas afirmaram estar enfrentando a primeira ocorrência de violência.

Especialistas apontam que a violência doméstica geralmente não acontece de forma isolada. Em muitos casos, o processo começa com ameaças, humilhações e agressões psicológicas, evolui para violência física e pode culminar em feminicídio.

O estudo também mostra que 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024, o menor número da última década. Apesar da redução geral, os homicídios ocorridos dentro de casa permaneceram praticamente estáveis, evidenciando os desafios para combater a violência no ambiente familiar.

Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, muitas mulheres só conseguem buscar ajuda quando a situação já atingiu um nível grave. Ela destaca ainda que a violência psicológica continua enfrentando resistência para ser reconhecida por parte das instituições responsáveis pelo atendimento às vítimas.

O Atlas conclui que, além da punição dos agressores, é necessário ampliar políticas de prevenção e fortalecer a rede de proteção para interromper o ciclo de violência antes que ele resulte em consequências ainda mais graves.