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Vorcaro tinha ‘caixa paralelo’ para gastos milionários e repasses a Sicário

Relatórios da Polícia Federal apontam despesas que chegaram a R$ 114,6 milhões em cinco meses de 2025

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reprodução

Relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal (PF) apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro recebia regularmente demonstrativos financeiros que detalhavam despesas milionárias relacionadas a aeronaves particulares, imóveis de alto padrão, galerias de arte e pagamentos a pessoas ligadas ao seu círculo de confiança. Segundo informações do jornal O Globo, os documentos registram movimentações que alcançaram R$ 114,6 milhões em apenas cinco meses de 2025.

As informações constam em planilhas de contabilidade encaminhadas a Vorcaro por seu cunhado, Fabiano Zettel, e por Ana Claudia de Paiva. Ambos são descritos pela PF como “operadores financeiros” do controlador do Banco Master e aparecem como personagens centrais na estrutura financeira investigada pelos agentes federais.

Entre os registros analisados pela corporação, um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores é a existência de pagamentos mensais de R$ 1 milhão destinados a Luiz Phillipi Machado de Morão, identificado pelo apelido de “Sicário”. De acordo com a PF, Mourão exercia funções estratégicas para Vorcaro e integrava um grupo conhecido como “A Turma”, apontado nas investigações como responsável por monitorar e intimidar pessoas consideradas desafetas do banqueiro.

Pagamentos recorrentes

Mensagens reunidas pelos investigadores indicam que Vorcaro acompanhava pessoalmente os repasses destinados a Mourão. Em conversas analisadas pela PF, o banqueiro determinava a continuidade dos pagamentos e demonstrava preocupação para que os valores fossem mantidos regularmente. “Colocar sicário na lista 1 mm (milhão) todo dia 8”, escreveu Vorcaro ao seu cunhado em uma das mensagens anexadas ao inquérito.

Em outro trecho destacado pelos investigadores, Zettel manifesta insatisfação com o comportamento de Mourão ao afirmar que “Sicário está mais chato”. Ainda assim, segundo a PF, a orientação de Vorcaro foi para que os pagamentos continuassem normalmente.

Os relatórios apontam que o banqueiro utilizava expressões como “faz 1 mm Sicário” ao tratar das transferências destinadas ao colaborador e ressaltava que, quando o assunto envolvia Mourão, não se podia “deixar falhar”.

Além dos pagamentos vinculados a “Sicário”, as planilhas registram despesas expressivas destinadas a outros setores que agora são alvo de apuração. Entre elas, aparecem repasses que somam R$ 29,8 milhões para duas galerias de arte localizadas em São Paulo.

Também constam nos documentos gastos de R$ 11,8 milhões classificados como “despesas de aeronaves”. A Polícia Federal investiga se obras de arte teriam sido utilizadas em operações de lavagem de dinheiro e se voos em aeronaves privadas serviram para custear favores ou benefícios destinados a agentes políticos.

Os documentos analisados abrangem os meses de março, abril, junho, julho e agosto de 2025.

Empresa apontada como peça-chave

Segundo a investigação, parte dos recursos movimentados pelo chamado “caixa paralelo” transitava pela empresa Super Empreendimentos S.A., que tinha Fabiano Zettel e Ana Claudia de Paiva em cargos de direção.

A PF sustenta que a companhia ocupava posição estratégica em uma estrutura financeira utilizada para movimentar recursos ligados às supostas fraudes investigadas no âmbito do caso Banco Master.

“É necessário pontuar que no comprovante acima é possível comprovar que uma das empresas utilizadas pelo grupo de Daniel Vorcaro para repassar valores a Sicário era a Super Empreendimentos e Participações S.A”, registrou a corporação em um dos relatórios.

Os investigadores afirmam ainda que a empresa foi utilizada em investimentos imobiliários de alto valor. Entre os bens citados está uma mansão avaliada em R$ 36 milhões no Lago Sul, área nobre de Brasília. De acordo com a PF, o imóvel era utilizado para encontros que reuniam autoridades dos Poderes Legislativo e Judiciário.

Prisões e andamento do caso

Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel estão presos preventivamente por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao caso Banco Master na Corte.

Luiz Phillipi Machado de Morão também foi alvo de mandado de prisão preventiva. Entretanto, ele morreu em decorrência de ferimentos sofridos após uma tentativa de suicídio ocorrida na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.

Ana Claudia de Paiva, por sua vez, foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação.

Procurados por intermédio de seus advogados, os citados não se manifestaram sobre as informações constantes dos relatórios da Polícia Federal.