O ex-deputado estadual Wanderson Nogueira ficará sem mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na tentativa de retornar ao Parlamento fluminense.
Instado a assumir uma vaga do PDT pelo colega de legenda Vitor Junior, ele afirma que o movimento acabou frustrado e resultou em constrangimento pessoal e político, sobretudo por ter criado expectativa junto à população de Nova Friburgo, principal base eleitoral do pedetista.
Segundo Nogueira, a iniciativa partiu do próprio Vitor Junior, com base política em Niterói, após o partido ter sofrido uma derrota judicial no processo por infidelidade partidária contra o deputado Ricardo da Karol, do PL – a ação teve início com o licenciamento de Martha Rocha para assumir a secretaria de Assistência Social da Prefeitura do Rio.
A ideia era que Junior se licenciasse do mandato por 120 dias para abrir espaço ao suplente, garantindo representação à Região Serrana, que ficou sem deputado na Alerj.
Promessa e recuo
O anúncio da possível licença foi feito publicamente por Vitor Junior, que divulgou a informação em suas redes sociais e chegou a posar para fotos ao lado de Wanderson Nogueira e do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. O gesto foi interpretado como um compromisso político firmado.
No entanto, Nogueira explica que a manobra esbarrou no Regimento Interno da Alerj, que não prevê convocação de suplente em casos de simples licença parlamentar. A convocação só seria possível se o deputado fosse nomeado para uma secretaria no governo estadual ou em um município com mais de 500 mil habitantes.
Nesse contexto, Rodrigo Neves abriu espaço para que Vitor Junior assumisse uma secretaria na Prefeitura de Niterói. Apesar disso, o deputado acabou não se licenciando e seguiu no mandato.
“Eu confesso que não esperava nada disso. Eu agradeci o gesto tanto do prefeito quanto do deputado. Nossa ideia era fazer uma dobradinha: ele disputado uma vaga na Câmara de Deputado e eu, na Alerj. Mas ele não cumpriu com a palavra dele. Isso criou um constrangimento, pois sou jornalista e tenho uma credibilidade a zelar mediante a população de Friburgo. Sem contar na expectativa que isso criou”, lamenta Nogueira.
Sem ruptura e foco no futuro
Apesar da frustração, o ex-deputado afirma que não houve rompimento político nem rusgas pessoais com Vitor Junior. Segundo ele, a mudança de decisão cabe ao parlamentar, que deve responder pelo recuo. Com o prazo de desincompatibilização se encerrando em abril, Nogueira diz não alimentar mais expectativas de assumir uma cadeira na atual legislatura.
Diante desse cenário, ele afirma que já iniciou a construção da estratégia do PDT para a Região Serrana visando às eleições de outubro. De acordo com Nogueira, nomes estão sendo avaliados tanto para a disputa de deputado estadual quanto federal. Ele ainda não decidiu se será candidato, mas informou que o partido já definiu o ex-prefeito de Cordeiro Luciano Ramos Pinto, o Luciano Batinha, como candidato a deputado federal.
Disputa judicial e decisão do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já determinou que o PL continuará com a vaga na Alerj que vinha sendo disputada judicialmente pelo PDT. Com isso, Wanderson Nogueira não deverá assumir o mandato, mesmo após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro ter decidido pela perda do mandato de Ricardo da Karol por infidelidade partidária.
O TSE manteve o efeito suspensivo concedido pelo TRE-RJ que impede, por ora, a devolução da cadeira ao PDT. Sob relatoria do ministro André Mendonça, a Corte não analisou o mérito da infidelidade partidária, apontando erro processual. O PDT avalia que a decisão beneficia o parlamentar que trocou de partido e retira um direito que considera líquido e certo da legenda.
A Agenda do Poder entrou em contato com a assessoria do deputado Vitor Junior e aguarda uma posição. Assim que as informações chegarem a reportagem será atualizada. O espaço segue aberto para manifestação do parlamentar.






