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Projeto para centro de memória do Valongo deve ficar pronto em 2024

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Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

O projeto de reforma do Armazém das Docas Dom Pedro II, construído em 1871, na zona portuária do Rio de Janeiro, deverá ser concluído até o fim do ano que vem, segundo previsão do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass.

O prédio histórico, projetado pelo engenheiro negro André Rebouças, sem uso de mão de obra escrava, fica em frente ao Cais do Valongo e deverá receber um centro de memória sobre a história e a cultura negras no país. A previsão inicial é que o espaço comece a funcionar em 2026.

O centro de memória foi anunciado em março deste ano, mas ainda não há detalhes de como será o espaço. Grass acredita, no entanto, que não será apenas um museu, mas um centro cultural.

“A ideia é fazer um grande Centro Cultural, então, ele vai ter uma multidisciplinaridade, uma perspectiva diversa de ocupação. Enfim, essa concepção ainda vai ser melhor discutida, mas a ideia é que não seja só um museu, vai ter uma perspectiva de multiuso”, afirmou Grass.

Nesta quinta-feira (23), foram entregues as obras de revitalização do Cais do Valongo, que foi nomeado patrimônio mundial pela Unesco, em 2017. Além da instalação de um guarda-corpo resguardando os vestígios do antigo porto, foram colocadas placas informativas sobre o sítio, que foi o principal ponto de desembarque de escravos africanos no Brasil, entre os séculos XVIII e XIX.

O entorno do Cais do Valongo, que inclui a Praça Mauá e os bairros da Saúde e da Gamboa, é conhecida como Pequena África, e contém outros sítios importantes para a história negra no Brasil, como o Cemitério dos Pretos Novos, onde eram enterrados os escravos recém-chegados ao país que morriam antes de serem vendidos, e a Pedra do Sal, conhecido como berço do samba carioca.

“Há necessidade de um olhar diferenciado para esse local, que é emblemático”, disse Gracy Mary Moreira, integrante do Comitê Gestor do Cais do Valongo e bisneta de Tia Ciata, uma das responsáveis pelo nascimento do samba e pela popularização das baianas quituteiras do Rio de Janeiro.

*Informações Agência Brasil