A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira uma suspensão de seis meses do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ), um dia depois de o parlamentar ter ocupado, por cerca de uma hora, a cadeira da Presidência da Casa e tentado obstruir os trabalhos do plenário. O placar foi de 318 votos favoráveis e 141 contrários.
Até o início da tarde de hoje, o cenário era de que Glauber seria cassado. Integrantes da base do governo, contudo, articularam a aprovação de um destaque que diminuiu a oposição. Esta aprovação só foi possível por conta da crise institucional atravessada pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB).
Apesar da maior parte da Casa condenar a atitude de Glauber nesta terça-feira, a condução da crise por parte de Motta pesou contra o presidente. Parlamentares ouvidos sob reserva afirmaram que a suspensão seria uma espécie de “saída honrosa” para Motta, em vez de correr o risco de sair derrotado na votação da cassação. O acordo costurado contemplou todos os partidos. Apenas o PL e o Novo orientaram contra.
Os partidos do Centrão, que antes eram favoráveis à cassação, foram convencidos de votar pela suspensão. A lógica interna é de que seria melhor punir o parlamentar do que correr o risco de não ter quórum o suficiente para a perda do mandato, o que ressultaria em uma absolvição.
A decisão encerra meses de desgaste envolvendo o processo disciplinar contra o deputado — um percurso que incluiu até uma greve de fome — e foi tomada em meio ao clima de ruptura provocado pelos episódios da véspera.
O motivo do processo de cassação é um episódio de abril de 2024, quando Glauber foi denunciado por ter chutado o militante do MBL Gabriel Costenaro durante uma discussão nos corredores da Câmara. Glauber Braga e o militante Gabriel Costenaro discutiram dentro das dependências da Casa. Houve empurrões e chutes do parlamentar contra o militante. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) também estava presente.
Na ocasião, a discussão seguiu para o exterior da Câmara e precisou ser apartada por policiais legislativos, que conduziram os dois para prestar depoimento no Departamento de Polícia Legislativa (Depol) da Câmara. O deputado se defende dizendo que, na ocasião em que agrediu o integrante do MBL, o militante o teria provocado e xingado sua mãe.






