O ano de 2025 foi trabalhoso para a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (SMPDA), que registrou uma grande quantidade de resgate de animais na cidade e fez 2026 começar com 1,6 animais abrigados pela Prefeitura do Rio. O número é aproximadamente 35% superior ao registrado em 1º de janeiro de 2025, quando o titular da pasta Luiz Ramos Filho tomou posse.
Militante pela causa animal há anos, Ramos Filho, que está em segunda passagem pela secretaria, afirmou que os abrigos cheios da Prefeitura revelam a chaga do abandono de animais nas ruas da capital:
“Para quem ama os animais, é muito difícil cruzar os braços diante de tanta covardia. As pessoas estão abandonando cada vez mais e o poder público que se vire para dar jeito. Aperta daqui, ajeita dali, mas chega uma hora que não há mais onde abrigar tantos bichinhos”, lamentou Luiz Ramos Filho, acrescentando que abrigo não é lugar de animal:
“Os abrigos não podem ser transformados em depósitos de animais. Temos que abrigar com dignidade. Trabalhamos o ano inteiro no limite de espaço e das nossas forças. Não é uma missão fácil”, afirmou o secretário.
Segundo um levantamento realizado pela SPMDA, entre 1º de janeiro até 28 de dezembro de 2025, a central 1746 registrou 15.830 chamados, contra 12.093 em 2024. Com o aumento de pedidos de ajuda e resgate para os animais, o número de abrigados aumentou. Mas o número de adoções não acompanhou o de resgates. Em 2025, dos 1.056 animais resgatados, apenas 761 ganharam lares.
Para desafogar os abrigos, Luiz Ramos Filho muitas vezes tem que apelar para a boa vontade das pessoas e solicitar lares temporários para alguns animais:
“Em alguns momentos tivemos que recorrer a lares temporários, porque as baias estavam lotadas. As pessoas ficam chateadas quando não atendemos determinado pedido, mas não podemos abrigar animais acima da capacidade. Eles nem sempre podem ficar juntos. Cães raças que apresentam maior agressividade, como pitbulls, normalmente ficam sozinhos na baia. E este ano houve muito abandono de pitbull. As pessoas adotam, mas, na menor dificuldade, abandonam o animal”, lamentou o secretário.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela equipe da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, 2026 pode representar uma mudança de vida para cães e gatos, através das campanhas de adoção promovidas pela pasta.
Os interessados em adotar um bichinho podem recorrer à Fazenda Modelo, em Guaratiba; ao Centro de Controle e Zoonoses, em Santa Cruz, na Zona Oeste; ou ao Instituto Jorge Vaitsman, na Mangueira, Zona Norte.
O primeiro passo adotar uma animal é fazer contato com a secretaria, por meio da página no Instagram @smpda.rj. Profissionais da pasta farão a avaliação dos pretendentes para evitar mais maus-tratos e abandonos, como explicou Ramos Filho:
“Postamos um catálogo com as fotos dos bichinhos, que são muito bem cuidados. Os gatos são apaixonantes, adoram carinho. Mas, para adotar, o interessado passa por uma avaliação, feita numa entrevista. Para evitar que adote e depois abandone o animal”, disse o secretário, lembrando que a Prefeitura lançou o programa ‘Entrega Pet’, que facilita a entrega do animal para os adotantes que não têm meio de transporte para ir até o abrigo pegar o seu “filhote” de quatro patas.
Em 2026, a SMPDA pretende intensificar as ações para evitar a procriação desordenada de animais e mais abandonos, com destaque para as castrações. No ano passado foram realizadas 63.867 cirurgias. A Prefeitura também inaugurou o Hospital Veterinário São Francisco de Assis, em Irajá, na Zona Norte, para reforçar os atendimentos dos três hospitais veterinários municipais e dos dez postos de saúde da rede pública, que somaram 117.192 atendimentos clínicos e 403.092 vacinas antirrábicas aplicadas – aumento de 10% em relação a 2024.
Com tanto empenho, a secretaria espera contar com a colaboração humanizada das pessoas para adotarem os bichinhos abrigados, e desenvolveram a consciência de que os animais são seres sencientes, portanto, sofrem, sentem medo, tristeza e alegria, quando protegidos e amados.
“Pretendemos ampliar as castrações em 2026. É a principal medida para evitar a proliferação e abandonos pelas ruas. A vacinação também é uma grande preocupação, para que a raiva, que não tem cura e mata inclusive os seres humanos, continue erradicada no nosso município”, diz Luiz Ramos Filho, “tenho esperança de que neste novo ano o ser humano terá mais compaixão destes seres tão indefesos”, finalizou Luiz Ramos Filho.






