A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) investiga a abordagem do comissário da Polícia Civil Marcos Migon a adolescentes que aguardavam um lanche na entrada de um condomínio no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio de Janeiro.
De acordo com as informações, antes da chegada do policial, os jovens conversavam em voz alta e o porteiro do prédio pediu que eles reduzissem o barulho. Em seguida, eles foram para a entrada de um dos blocos para aguardar o pedido.
Na sequência, Marcos se aproxima do grupo e passa a questionar os adolescentes sobre o bloco e o apartamento onde moram. Em certo momento, ele chega a exibir o distintivo da Polícia Civil.
“Não entendi? Coloca a mão na cabeça. Bloco e apartamento, bloco e apartamento. Cala a boca, não sou teu pai. Tá achando que tá falando com quem? Polícia Civil”, diz, mostrando o distintivo a um dos jovens.
Os vídeos gravados pelos próprios adolescentes mostram o comissário repetindo as ordens para que aqueles que moram no condomínio informem seus dados e se posicionem conforme solicitado. Em determinado momento, ele também filma os adolescentes com o celular.
“Encosta ai filho, você é surdo? Encosta na parede. Tá de sacanagem? Tem que pedir por favor? Olha pra câmera, porra”, ordena o comissário.
Ainda durante a abordagem, um dos adolescentes, identificado como morador do prédio, é diretamente interpelada pelo policial. Após a troca, o grupo é orientado a se dirigir à porta do edifício, quando a gravação é interrompida.
A reportagem tenta localizar a defesa de Marcos Migon. O espaço segue aberto para manifestação.
Segundo a Polícia Civil, testemunhas são ouvidas e outras diligências estão em andamento para apurar os fatos. A Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) acompanha o caso.






