A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), uma nova fase da Operação Caminhos do Cobre. O objetivo é desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no furto, receptação e lavagem de dinheiro proveniente de cabos de energia e telefonia. Agentes da 111ª DP (Sumidouro) cumprem 22 mandados de busca e apreensão, com foco principal na comunidade do Cajueiro, em Madureira, além de outros pontos da Zona Norte e do Rio de Janeiro.
O “QG” da Reciclagem Clandestina
As investigações revelam que a quadrilha utilizava uma reciclagem clandestina no interior do Morro do Cajueiro para “beneficiar” o material roubado, retirando a cobertura isolante para revender o cobre puro. O grupo, que busca proteção em áreas controladas pelo Comando Vermelho, movimentou cifras impressionantes: em menos de dois anos, o fluxo financeiro superou R$ 53 milhões.
Até o momento, além de grande quantidade de cobre, as equipes apreenderam máquinas de caça-níqueis. A Justiça também autorizou o sequestro de bens — incluindo veículos e imóveis — e o bloqueio de ativos financeiros para tentar recuperar o prejuízo causado pelas atividades ilícitas.
O esquema da organização é sofisticado. Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), os crimes ocorrem preferencialmente de madrugada. O grupo utiliza caminhões para arrancar cabos subterrâneos e motocicletas que funcionam como “batedores”, monitorando a polícia e fechando vias para a execução do furto.
Para dar aparência de legalidade ao material, a ala financeira do grupo emitia notas fiscais fraudulentas. O dinheiro era pulverizado em diversas contas bancárias por meio de transferências sequenciais, técnica utilizada para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle.
A ação de hoje é um desdobramento de uma ofensiva maior. Na última segunda-feira (23), a DRF já havia mirado outro braço do esquema que movimentou mais de R$ 132 mil
Balanço da Operação
Desde que a “Caminhos do Cobre” foi intensificada em setembro de 2024, a Polícia Civil já alcançou números expressivos no combate ao mercado ilegal de metais. Foram 430 fiscalizações em ferros-velhos; 200 prisões de responsáveis por estabelecimentos; 300 toneladas de fios de cobre e metais apreendidos e R$ 240 milhões em pedidos de bloqueio judicial.
As autoridades reforçam que o furto desses materiais não gera apenas prejuízo financeiro, mas interrompe serviços essenciais como internet, telefonia e energia elétrica para milhares de cidadãos e hospitais.






