Após a forte repercussão negativa sobre o reajuste anunciado pela concessionária MetrôRio, o governador Cláudio Castro anunciou, na noite desta quarta-feira (13), que a tarifa do sistema metroviário será mantida no valor atual de R $ 8,20 que passaria a vigorar em abril e garante, ainda, a continuidade da Tarifa Social de R$ 5,00 para usuários cadastrados no Bilhete Único Intermunicipal (BUI).
Para viabilizar o congelamento do preço sem romper o equilíbrio financeiro do contrato, o Governo do Estado destinará R$ 37 milhões em subsídios à concessionária. Segundo Castro, a medida visa proteger o orçamento da população diante de uma tarifa que já é a mais cara do país entre as capitais.
“Sabemos que, por contratos passados, a passagem ficou muito alta. A Agência (Agetransp) autorizou o aumento contratual de R$ 0,30, mas vamos garantir que, durante todo este ano, não haja esse reajuste”, afirmou o governador em vídeo publicado nas redes sociais.
O reajuste de 3,8% (baseado na variação do IPCA) havia sido homologado pela Agetransp, mas enfrentava resistência dos passageiros. Além do peso no bolso, os usuários relatam rotineiramente problemas operacionais. Nos horários de pico, a superlotação é a principal queixa, somada a falhas recorrentes no sistema de climatização dos vagões em dias de calor intenso.
O entrave do modelo de concessão
A tarifa do Metrô carioca é a mais cara do Brasil. Para especialistas, o valor elevado no Rio de Janeiro é reflexo de uma escolha estrutural. Segundo Marcus Quintella, coordenador da FGV Transportes, a ausência de subsídios governamentais crônicos ao longo da concessão diferencia o Rio de cidades como São Paulo ou Porto Alegre.
“No Rio, o que sustenta o serviço é a tarifa paga pelo usuário. É uma questão do modelo de concessão. Em outras capitais, o poder concedente subsidia a operação para manter a tarifa pública mais baixa”, explica Quintella.
O engenheiro também pontua que o índice de reajuste previsto em contrato, o IPCA, pode gerar distorções. “O IPCA é um índice geral da economia. Ele nem sempre reflete os custos específicos do setor, como energia elétrica, peças de manutenção e folha de pagamento, o que acaba pressionando o orçamento do passageiro de forma desequilibrada”, avalia.
A Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana (Setram) foi orientada pela Agetransp a realizar estudos técnicos para encontrar alternativas que tornem a tarifa mais acessível a longo prazo. Além da renovação do desconto de R$ 5,00 para quem possui o BUI (que venceria em 11 de abril), o conselho diretor da agência recomendou que o governo estude a extensão desse benefício social para uma parcela maior da população.






