Agentes da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) prenderam, neste sábado (28), o motorista de ônibus Tecio Maciel Xavier. Ele é o principal suspeito de estuprar uma idosa de 71 anos no interior de um coletivo da linha 383 (Realengo x Praça da República), na noite do último domingo (22). A prisão foi efetuada seis dias após o crime, após a polícia consolidar provas técnicas e o reconhecimento por parte da vítima.
O Crime: “Cárcere e Violência”
De acordo com o inquérito, a idosa embarcou no veículo por volta das 20h30 na Avenida Presidente Vargas, após sair da casa de uma irmã. No trajeto, após o desembarque do último passageiro, o motorista teria iniciado uma abordagem verbal insistente.
Ao perceber o perigo, a vítima solicitou o desembarque na altura do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Ignorando os apelos da passageira, o motorista seguiu viagem até um ponto isolado no Centro. Ali, Tecio teria apagado as luzes do ônibus e travado as portas, impedindo qualquer chance de fuga antes de consumar o estupro.
A vítima realizou exames no Instituto Médico-Legal (IML) na segunda-feira (23) e, posteriormente, reconheceu o agressor através de imagens das câmeras de segurança fornecidas pela empresa Sou Transportes.
Reincidência e Falha na Fiscalização
Um levantamento minucioso revelou que este não foi o primeiro ataque de Tecio. Em 2019, ele foi indiciado por importunação sexual contra uma jovem de 20 anos na Ilha do Governador. O modus operandi foi quase idêntico: esperar o último passageiro descer, apagar as luzes e trancar as portas do coletivo.
Naquela ocasião, o Ministério Público ofereceu denúncia, mas não houve pedido de prisão preventiva. Tecio deveria se apresentar periodicamente à Justiça, mas, segundo apuração, ele estava foragido do sistema de fiscalização judicial desde janeiro deste ano, quando interrompeu as apresentações obrigatórias na 5ª Vara Criminal.
Posicionamento das Empresas
Em nota, a Sou Transportes, atual empregadora do suspeito, afirmou que “lamenta profundamente a denúncia” e que está apurando os fatos internos, reiterando que repudia qualquer tipo de violência contra mulheres e idosos.
Já a empresa Paranapuã, onde o motorista trabalhava na época do primeiro crime em 2019, informou que o funcionário foi desligado logo após o término do contrato de experiência e que sempre colaborou com as autoridades.
Proteção e Denúncia
O caso levanta um alerta sobre a segurança de mulheres no transporte público e a necessidade de verificação de antecedentes para profissionais do setor. A Polícia Civil orienta que vítimas de casos semelhantes procurem imediatamente uma Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) ou utilizem o Ligue 180.






