A 4ª edição da pesquisa “Pela Vida das Mulheres”, do Instituto Sou da Paz, revela que, embora o país registre queda nos homicídios em geral, a letalidade contra o público feminino por armas de fogo não recuou.
O perigo dentro de casa
Diferentemente da violência urbana comum, a agressão armada contra a mulher possui rosto conhecido. Segundo o relatório:
- 46% das agressões são cometidas por pessoas próximas à vítima.
- 29% dos casos envolvem parceiros ou ex-companheiros.
- 76% dos agressores são homens adultos.
A residência tem ganhado peso como local do crime. Em 2023, 28% dos óbitos ocorreram dentro de casa, um índice que vem crescendo desde 2019. Nas regiões Sul e Centro-Oeste, esse número chega a 43%.
Violência não letal em disparada
Enquanto as mortes estabilizaram em patamares altos, a violência armada não fatal cresceu 23% em relação a 2022. Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, o dado reflete o aumento da circulação de armas na sociedade.
“É fundamental articular a política de controle de armas à agenda de defesa dos direitos das mulheres”, afirma Carolina.
Perfil das vítimas e desigualdade racial
A violência armada no Brasil tem cor e idade:
- Raça: Mulheres negras representam 72% das vítimas fatais. A taxa de homicídio de negras (2,2) é o dobro da de não negras (1,1).
- Idade: O risco começa cedo. Aos 15 anos, as armas de fogo passam a ser instrumento frequente de vitimização. Jovens de até 39 anos concentram 59% dos casos.
Recomendações
O relatório reforça que o controle de armas deve ser encarado como política de segurança pública e assistência social. O Brasil já possui leis que limitam o acesso a armas por agressores, mas o Instituto alerta para a necessidade de maior rigor na aplicação dessas normas e na qualificação do atendimento em saúde e segurança.






