A Assembleia de Especialistas do Irã nomeou Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país, segundo informou a mídia estatal neste domingo (08). Em comunicado, o órgão convocou a população iraniana a manter a unidade e jurar lealdade ao novo líder.
Mojtaba substituirá o pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio conduzido por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, no início de uma ofensiva contra o país. A decisão foi tomada pela Assembleia de Peritos — responsável por eleger o líder supremo da República Islâmica desde a Revolução Islâmica de 1979 — e confirmada pelo integrante do conselho Ahmad Alamolhoda.
O anúncio oficial ainda dependia da divulgação formal por parte do chefe do secretariado da Assembleia de Peritos, Hosseini Bushehri, encarregado de tornar pública a decisão, segundo a agência semioficial iraniana Mehr.
Quem é Mojtaba Khamenei?
De acordo com a imprensa iraniana, Mojtaba perdeu recentemente o pai, a mãe, a esposa e um filho pequeno nos ataques. Apesar das tragédias pessoais, ele é considerado uma das figuras mais influentes do establishment clerical iraniano.
Mesmo com o título de aiatolá de nível intermediário, é conhecido por sua postura linha-dura e pelos laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã. Há anos ele é apontado como o principal candidato a suceder o pai e o nome mais cotado para assumir o cargo mais alto do país.
Apesar da influência nos bastidores, a sucessão de pai para filho não é bem vista dentro da tradição xiita do Islã, o que pode representar um desafio político para o novo líder.
O anúncio ocorre em meio a uma escalada militar na região. Nos últimos dias, o Exército israelense atacou um prédio ligado à Assembleia de Peritos na cidade de Qom, no sul do Irã, durante uma reunião de aiatolás, segundo a imprensa israelense e veículos estatais iranianos. Militares israelenses afirmaram que irão “perseguir todos os sucessores e qualquer pessoa envolvida na escolha de um novo líder”.
A morte de Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, ocorreu durante bombardeios contra alvos estratégicos em Teerã, que também mataram comandantes militares e integrantes do alto escalão do regime, desencadeando uma escalada de ataques entre Irã, Israel e forças americanas na região.






