Os Estados Unidos foram palco de uma mobilização massiva neste sábado (28), quando milhões de cidadãos ocuparam as ruas de centenas de cidades no movimento batizado de “No Kings” (Sem Reis). Os protestos, que já estão em sua terceira edição em menos de um ano, miram o estilo de governo personalista de Donald Trump, a intervenção militar no Irã e as agressivas políticas migratórias do segundo mandato.
O epicentro das manifestações foi o estado de Minnesota. Centenas de milhar de pessoas lotaram o gramado do Capitólio, em St. Paul, para ouvir o astro do rock Bruce Springsteen. O músico apresentou a canção “Streets of Minneapolis”, composta em resposta às mortes de Renee Good e Alex Pretti durante operações de agentes federais do ICE (Serviço de Imigração e Alfândegas).
Ocupação Urbana e Conflitos
Segundo os organizadores, foram registrados mais de 3.100 eventos simultâneos — um crescimento expressivo em relação aos atos de outubro.
- Nova York: A Times Square ficou completamente intransitável com a multidão.
- Washington D.C.: Manifestantes marcharam do Lincoln Memorial ao National Mall com cartazes satíricos como “Abaixe a coroa, palhaço” e o coro “Chega de reis”.
- Los Angeles: O clima ficou tenso em frente ao Edifício Federal Roybal. O Departamento de Segurança Interna informou a prisão de duas pessoas após policiais serem atingidos por blocos de cimento.
A Rejeição ao “Estilo Monárquico”
O nome do movimento, “No Kings”, é uma crítica direta à percepção de que Trump governa acima das instituições. Manifestantes citam como exemplo a recente inclusão da assinatura do presidente nas notas de dólar e o uso frequente de decretos executivos para contornar o Legislativo.
A indignação foi potencializada pela guerra no Irã, lançada em parceria com Israel. O conflito é questionado pela falta de prazos claros e pelo crescente número de baixas entre militares americanos. “A mudança de regime começa em casa”, dizia uma das faixas mais replicadas nos atos, sugerindo que o foco deveria ser a democracia interna antes da intervenção externa.
Uma Nação Dividida
Enquanto os críticos denunciam o uso do Departamento de Justiça para perseguir opositores e o desmantelamento de políticas ambientais e de diversidade, a base MAGA (Make America Great Again) mantém o apoio fervoroso ao presidente, aprofundando o abismo político no país.
Para analistas, esta onda de protestos é a forma mais estridente de oposição desde o início de 2025, sinalizando que o governo enfrentará resistência popular contínua em sua agenda de “exibição de poder militar” e centralização política.






