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Operação Exfil: empresário carioca é procurado pela PF por espionagem fiscal contra cúpula do Judiciário

Marcelo Conde, filho do ex-prefeito Luiz Paulo Conde, é suspeito de comprar dados sigilosos da esposa do ministro Alexandre de Moraes

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1), uma nova fase da Operação Exfil, que mira um sofisticado esquema de obtenção e vazamento de dados fiscais sigilosos. O principal alvo é o empresário carioca Marcelo Paes Fernandez Conde, de 65 anos, que passou a ser considerado foragido.

Filho do ex-prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, Marcelo é suspeito de encomendar “pacotes de dados” de autoridades e seus familiares. Entre as vítimas está a advogada Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A “Mercadoria”: Sigilo de 1.800 Contribuintes

As investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) revelaram uma escala alarmante de invasão de privacidade. Ao todo, 1.819 contribuintes tiveram seus dados devassados. A lista de alvos inclui:

  • Ministros do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU);
  • O Procurador-Geral da República (PGR);
  • Deputados federais, ex-senadores e um ex-governador;
  • Dirigentes de agências reguladoras e grandes empresários.

De acordo com o inquérito, Conde fornecia listas de CPFs ao contador Washington Travassos de Azevedo — já preso em fases anteriores — e pagava cerca de R$ 4.500 em espécie por cada conjunto de declarações fiscais obtidas ilicitamente.

Estrutura Criminosa dentro do Estado

A Operação Exfil detalha uma “cadeia de intermediação estruturada” infiltrada em órgãos federais. O esquema contava com a conivência de servidores da Receita Federal e funcionários terceirizados (incluindo vigilantes) e profissionais do Serpro. Esses agentes utilizavam seus acessos funcionais para extrair informações dos sistemas da Receita e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Mandados e Prisão Preventiva

Por determinação de Alexandre de Moraes, foram expedidos um mandado de prisão preventiva contra Marcelo Conde e seis de busca e apreensão em endereços ligados a ele no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Na decisão, fundamentada em parecer da PGR, o ministro destacou que a medida é crucial para a “reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos”, indicando que a rede de compradores de dados pode ser ainda maior.