Um estudo em andamento pretende dimensionar o potencial de reaproveitamento de resíduos no Brasil, identificando materiais que hoje são descartados, mas que podem retornar à cadeia produtiva como matéria-prima.
A pesquisa, considerada uma das mais completas já realizadas no país sobre o tema, foi contratada por uma empresa privada interessada no valor econômico dos resíduos que acabam em aterros sanitários e lixões.
De acordo com o levantamento inicial, o Brasil produz cerca de 215 mil toneladas de resíduos domiciliares por dia, mas apenas cerca de 5% desse total é reaproveitado. A primeira fase do estudo analisou a composição do lixo em diferentes cidades, por meio de um processo chamado gravimetria.
Os dados indicam que mais da metade dos resíduos descartados é composta por restos de alimentos. Outros materiais também aparecem em grande volume, como plástico (13%), papel e papelão (17%) e vidro (9%).
Além de mapear essa composição, a pesquisa busca entender quais desses materiais já possuem mercado e quais ainda podem ser incorporados à economia, ampliando o reaproveitamento e reduzindo desperdícios.
O projeto recebeu financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos. Ao todo, foram destinados R$ 84 milhões para duas iniciativas, incluindo a construção de um Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos no Ceará, que deve reunir processos como compostagem, tratamento de chorume e triagem de materiais.
Segundo especialistas, o incentivo à inovação e à economia circular pode aumentar a eficiência do setor, gerar novos negócios e trazer benefícios ambientais e sociais.






