O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou à Justiça o afastamento imediato do presidente interino do Rioprevidência, Nicholas Cardoso. Ele assumiu o cargo após o afastamento do então presidente, Deivis Antunes, alvo de uma operação da Polícia Federal.
A medida tem como base a realização de investimentos que somam R$ 118 milhões em fundos geridos por instituições financeiras não credenciadas junto à autarquia, o que, segundo o MP, contraria normas internas e diretrizes do Conselho Monetário Nacional.
Os aportes foram realizados no fim de dezembro de 2025, período em que Nicholas ocupava o cargo de diretor de investimentos do órgão. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a cerca de 235 mil servidores estaduais e seus dependentes.
De acordo com o Ministério Público, a permanência do atual gestor representa risco iminente ao patrimônio público. Na ação, o órgão afirma que a continuidade de aplicações em instituições não autorizadas evidencia falhas graves na governança e pode contribuir para prejuízos ao erário.
Os investimentos ocorreram mesmo após a divulgação de irregularidades envolvendo cerca de R$ 1 bilhão aplicados anteriormente em ativos ligados ao Banco Master, operação considerada de alto risco.
Relatório do Conselho Fiscal do Rioprevidência aponta que os aportes foram feitos sem o devido credenciamento das instituições responsáveis, o que pode ter exposto os recursos a riscos jurídicos, operacionais e reputacionais. O documento recomenda a apuração formal dos fatos.
Diante do cenário, o MPRJ também pediu o bloqueio de R$ 1,088 bilhão em bens de Nicholas Cardoso, do ex-presidente Deivis Antunes, do Banco Master e da empresa PKL One Participações S.A., ligada ao produto de crédito consignado Credcesta.
Segundo o MP, o objetivo é garantir o ressarcimento aos cofres públicos, evitando que o prejuízo recaia sobre servidores ativos, aposentados e pensionistas.
Em nota, o Rioprevidência informou que não foi formalmente notificado da ação e contestou as acusações. O órgão afirma que os recursos investidos têm natureza administrativa, não vinculados diretamente ao pagamento de benefícios, e que as aplicações seguiram estratégia conservadora, com parte dos valores aplicada em títulos públicos.
A autarquia também destacou que vem adotando medidas para aprimorar a gestão e que mantém o compromisso com o pagamento regular dos benefícios previdenciários.






