O transporte público no Rio de Janeiro tem uma semana decisiva. Na próxima quarta-feira (15), às 10h, a diretoria do Sindicato dos Rodoviários e representantes do Rio Ônibus (sindicato patronal) se reúnem na sede da categoria, no Estácio, para discutir a pauta de reivindicações do dissídio deste ano.
O encontro acontece em um momento de tensão. Os trabalhadores buscam recuperar perdas inflacionárias e garantir direitos básicos. Entre os itens centrais da pauta entregue aos empresários em março, destacam-se:
- Reajuste Salarial: Piso de R$ 4 mil para os demais condutores.
- Benefícios: Tíquete-alimentação de R$ 1.000, além de planos de saúde e odontológico.
- Jornada e Folgas: Implementação da jornada 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de folga) e indenização do intervalo de almoço.
- Data-Base: Antecipação da data-base da categoria para 1º de março.
Foco no BRT: O fim do “Contrato Temporário”
Um dos pontos mais sensíveis da negociação é a situação dos profissionais da Mobi-Rio, que opera o BRT. O presidente do Sindicato, Sebastião José, denuncia que motoristas estão há mais de cinco anos sob contratos temporários, o que priva os trabalhadores de garantias plenas da CLT.
“Já passou da hora de a prefeitura respeitar a lei trabalhista e contratar esses profissionais com carteira assinada”, afirma Sebastião José. Segundo ele, o sindicato já acionou o Ministério Público (MP) e prepara uma representação no Ministério Público do Trabalho (MPT) caso a situação não seja regularizada.
Mobilização nas Garagens
Enquanto a reunião não acontece, a direção do sindicato intensifica as visitas a garagens e terminais. O objetivo é mobilizar a categoria para possíveis paralisações caso as negociações não avancem.
Para Sebastião, o argumento das empresas de que faltam motoristas no mercado é rebatido com críticas à gestão: “O que falta no Rio é respeito. Salário digno e auxílio-alimentação decente são o mínimo para quem tem a responsabilidade de conduzir milhares de vidas diariamente”, conclui o líder sindical.






