A CPI do Crime Organizado rejeitou nesta terça-feira, por seis votos a quatro, o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) que pedia, de forma inédita, o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República por envolvimento no caso do Banco Master.
O parecer foi enterrado após uma forte reação de magistrados da Corte ao texto, além da mobilização do governo, que alterou a composição do colegiado para impor o revés ao relator e a integrantes da oposição. Também atuaram para o desfecho partidos do Centrão e o presidente do Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que declarou uma posição pública contrária às conclusões da investigação.
De última hora, a oposição tentou contra atacar e solicitou que a votação do relatório de Vieira acontecesse de forma destacada. A ideia era separar os pedidos de indiciamento do resto do relatório e, assim, conseguir maioria para aprovar a maior parte do parecer.
Apesar disso, o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), rejeitou a solicitação, e o relatório foi votado na sua integralidade e rejeitado.
Após o resultado, Vieira culpou o Palácio do Planalto e citou diretamente o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
– Eu disse ao líder do governo Jaques Wagner e reafirmo publicamente que o governo escolheu atravessar a rua pra dar um abraço de afogados aos ministros (do STF). Eu acho que isso vai cobrar um preço significativo depois.
Por sua vez, o presidente da CPI disse que tem críticas ao Supremo e declarou ser necessário que o Poder Judiciário faça uma autocrítica. Ainda assim, o petista se manifestou contra o relatório de Vieira. Ele não votou no parecer por ser presidente do colegiado.
Na reta final de uma sessão tumultuada, governistas promoveram a substituição de dois senadores de oposição em uma ofensiva para impedir a votação do texto ou derrotá-lo na última sessão da comissão.
Deixaram o colegiado Sergio Moro (União-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES), ambos integrantes do Bloco Parlamentar Democracia (MDB, PSDB, Podemos e União Brasil) e favoráveis ao parecer. Em seus lugares, entraram Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), alinhados ao governo.
A troca foi fruto de um acordo entre os partidos. Senadores envolvidos na articulação afirmam que, com a nova composição, havia um cálculo de ao menos sete votos em um colegiado de 11 titulares para esvaziar a deliberação, incluindo o presidente da CPI, que acabou não votando, Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Otto Alencar (PSD-BA).






