O acirramento do conflito no Oriente Médio e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz — principal artéria do petróleo mundial — redesenharam o mapa das exportações brasileiras no primeiro trimestre de 2026. Com a interrupção do fluxo vindo do Golfo Pérsico, a China e a Índia voltaram seus olhos para o Brasil, gerando um salto histórico nas vendas de óleo bruto.
Salto histórico nas exportações
Dados compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), com base em registros do Governo Federal, revelam que o volume de petróleo exportado para o gigante asiático mais que dobrou no início deste ano. O faturamento atingiu a marca recorde de US 3,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O resultado supera, inclusive, o antigo topo histórico de 2024, quando as vendas somaram US$ 5,2 bilhões. Em termos de volume, a alta foi de 122%, saltando de 7,4 mil para 16,5 mil toneladas. Com isso, o petróleo passou a representar 30% de toda a pauta exportadora brasileira para a China.
A Índia seguiu tendência semelhante: o país, também afetado pelo gargalo logístico em Ormuz, aumentou em quase 80% suas compras de petróleo brasileiro, totalizando US$ 1 bilhão em contratos apenas neste trimestre.
A Geopolítica do Estreito
Enquanto o Brasil colhe os frutos comerciais, a tensão diplomática em torno do Estreito de Ormuz continua elevada. Nesta quarta-feira (15), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que o país está pronto para normalizar a segurança da via, desde que as hostilidades cessem.
“O Irã, junto aos estados costeiros, pode garantir a segurança desta via navegável, desde que a guerra travada pelos Estados Unidos e pelo regime sionista contra o Irã chegue ao fim”, afirmou Baghaei.
O porta-voz elogiou a postura da União Europeia, afirmando que os líderes do bloco “demonstraram sabedoria ao não caírem na armadilha” de uma escalada militar direta liderada por Washington.
Diplomacia de Bastidores e Programa Nuclear
Apesar do tom combativo, o Irã mantém canais abertos de negociação. Baghaei confirmou que Teerã e Washington continuam trocando mensagens indiretas por meio da mediação do Paquistão. Autoridades paquistanesas são esperadas em Teerã em breve para alinhar pontos de vista e tentar estabelecer uma estrutura geral para um possível acordo.
Sobre a questão nuclear, o Irã mantém sua defesa:
- Fins pacíficos: O governo reafirma que seu programa não busca armas.
- Direito Inerente: O direito à energia nuclear é visto como inegociável sob o tratado de não proliferação.
- Flexibilidade: O nível de enriquecimento de urânio, no entanto, foi colocado como um item que pode ser discutido, dependendo das necessidades e garantias dadas ao país.






