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Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj com ampla vantagem e sem concorrência

Deputado do PL confirma favoritismo em eleição marcada por esvaziamento da oposição e disputas judiciais

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Foto: Divulgação / Governo do Estado do RJ

O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito, nesta sexta-feira (17), presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com 44 votos favoráveis, em uma votação marcada por candidatura única, ausência da oposição e tentativas frustradas de intervenção judicial.

A sessão teve início pela manhã, já sob um cenário amplamente favorável ao parlamentar. Com 45 deputados presentes, número suficiente para garantir quórum, a eleição transcorreu sem sobressaltos e confirmou o favoritismo de Ruas, que já havia vencido uma disputa anterior posteriormente anulada pela Justiça.

A definição pelo voto aberto foi determinante para o desfecho. Após a manutenção do modelo previsto no regimento interno da Casa, o deputado Vítor Júnior desistiu da candidatura. Nos bastidores, a avaliação era de que o voto nominal reduziria a viabilidade de uma disputa competitiva, ao expor parlamentares a pressões políticas.

Oposição esvazia plenário

Partidos de oposição alinhados ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, optaram por não participar da sessão, em protesto contra o formato da votação. A ausência do grupo esvaziou o plenário e eliminou qualquer possibilidade de confronto político durante o pleito.

Disputa judicial não impediu eleição

A eleição também foi cercada por uma nova tentativa de judicialização. Na véspera, o PDT acionou o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) para suspender o pleito, alegando falhas no processo e risco à estabilidade institucional.

O partido questionou o curto prazo entre a convocação e a realização da eleição — o edital foi publicado apenas dois dias antes —, além de apontar possível prejuízo à participação da oposição. A legenda também argumentou que a escolha do presidente da Alerj, neste momento, pode ter impacto direto na linha sucessória do governo estadual, em meio à indefinição sobre o comando do Executivo.

Apesar dos argumentos, não houve decisão que impedisse a realização da votação. Com isso, o processo seguiu conforme previsto no regimento interno, que estabelece o voto aberto para a escolha da Mesa Diretora.

Contexto de instabilidade política

A eleição ocorre em um cenário de incerteza institucional no estado do Rio de Janeiro. O cargo de presidente da Alerj ganhou ainda mais relevância após a cassação de Rodrigo Bacellar, no mesmo julgamento que tornou o ex-governador Cláudio Castro inelegível.

Atualmente, o estado é comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não concluiu o julgamento que definirá se a escolha do novo governador será por eleição direta ou indireta.

Nesse contexto, a presidência da Alerj passa a ter papel estratégico, já que pode influenciar diretamente a linha sucessória e o equilíbrio de forças no estado.