As urnas abriram às 7h (horário local; 1h em Brasília) deste domingo (19 de abril de 2026) na Bulgária para a oitava eleição parlamentar em apenas cinco anos. O pleito antecipado tenta encerrar um ciclo de instabilidade política crônica que se agravou após a renúncia do ex-primeiro-ministro Rosen Zhelyazkov em dezembro de 2025, motivada por protestos massivos contra a corrupção e novas políticas fiscais.
Rumen Radev lidera as pesquisas
O ex-presidente Rumen Radev, que renunciou ao cargo em janeiro para liderar a nova coalizão de centro-esquerda Bulgária Progressiva, aparece como o grande favorito. Entre suas promessas, está erradicar o “modelo oligárquico de governança” e trazer estabilidade após anos de governos efêmeros.
Ex-piloto de caça e conhecido por posturas eurocéticas, Radev opõe-se ao envio de ajuda militar à Ucrânia e defende a retomada de laços com a Rússia.
Pesquisas indicam que sua coalizão pode alcançar cerca de 35% dos votos, o que seria o melhor resultado individual em anos, embora ainda insuficiente para uma maioria absoluta no parlamento de 240 cadeiras.
Contexto de crise e mudança econômica
A votação ocorre em um momento histórico e delicado para o país. A Bulgária tornou-se oficialmente o 21º membro da Zona do Euro em 1º de janeiro de 2026, conforme ratificado pelo Conselho da União Europeia. A transição, embora histórica, gerou receios sobre o aumento do custo de vida.
O gabinete anterior renunciou após semanas de manifestações lideradas principalmente por jovens. O gatilho foi um projeto de orçamento que previa alta de impostos e contribuições previdenciárias para cobrir gastos públicos.
A participação eleitoral, que foi de apenas 34% em 2024, deve subir para cerca de 60% devido ao “efeito Radev”, segundo analistas ouvidos pela Reuters.
As seções eleitorais fecham às 20h locais (14h de Brasília) e os primeiros resultados projetados devem ser divulgados imediatamente após o fechamento das urnas. Os resultados Oficiais devem ser consolidados até segunda-feira (20).
A grande dúvida é se Radev conseguirá formar uma coalizão estável ou se a Bulgária continuará refém de acordos de bastidores que derrubaram governos recentes. De acordo com o portal SAPO, a capacidade de diálogo com partidos como o pró-europeu “Continuamos a Mudança” (PP-DB) será decisiva para evitar um novo impasse.






