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Justiça volta a suspender leilão de imóvel de antigo supermercado em Botafogo

Disputa envolve o Grupo Sendas, a administração municipal e o projeto de instalação de um centro da FGV

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reprodução

A disputa em torno do imóvel da Rua Barão de Itambi, em Botafogo, ganhou mais um capítulo nesta segunda-feira (20). A Justiça do Rio voltou a suspender o leilão do prédio desapropriado pela Prefeitura, atendendo a um pedido do Grupo Sendas, antigo proprietário do espaço.

A nova decisão interrompe, ao menos por enquanto, a venda do imóvel. O caso já vinha se arrastando na Justiça desde o fim do ano passado e passou por reviravoltas recentes. Na semana passada, uma decisão da 14ª Vara da Fazenda Pública havia mantido o leilão previsto para o imóvel, enquanto a disputa seguia para a segunda instância.

O imbróglio gira em torno da tentativa da Prefeitura de desapropriar o prédio para destiná-lo à implantação de um centro de pesquisas em inteligência artificial ligado à Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo a administração municipal, o projeto se enquadra como medida de interesse público. Em março, a Prefeitura publicou um novo decreto para tentar sustentar juridicamente a desapropriação depois que a primeira versão do ato foi questionada judicialmente.

Esse novo decreto foi editado após a Justiça suspender a medida anterior. À época, o entendimento judicial apontou falta de comprovação suficiente do interesse público alegado pelo município. O texto refeito pela gestão municipal buscou justamente sanar essa fragilidade, anexando nova fundamentação administrativa para justificar a intervenção no imóvel.

Do outro lado, o Grupo Sendas sustenta que a desapropriação privilegia uma entidade privada de forma arbitrária. A empresa argumenta que o imóvel não está abandonado, que havia atividade econômica no local e que já existiam negociações para uma nova ocupação comercial do prédio, inclusive com a perspectiva de instalação de uma unidade do supermercado Mundial.

A controvérsia também passa pelo uso atual do espaço. Nas ações apresentadas, os antigos proprietários afirmam que a manutenção de atividades econômicas no edifício enfraquece a tese de necessidade da desapropriação. Esse ponto, segundo a defesa, não teria sido devidamente enfrentado em etapas anteriores do processo.

O caso virou uma novela judicial e política em Botafogo. Além do embate entre Prefeitura e proprietários, a disputa mobilizou moradores e parlamentares que questionam a destinação do imóvel e a forma como o processo de desapropriação foi conduzido. A expectativa agora é pelos próximos passos dos desembargadores, que ainda vão analisar os argumentos das partes antes de uma decisão definitiva.

Enquanto isso, o leilão segue suspenso. E o destino do prédio, no coração de Botafogo, continua em aberto