Desde os primeiros minutos do dia, a Rua Clarimundo de Melo, em Quintino, na Zona Norte, já era tomada por um mar vermelho de fé. Antes mesmo da meia-noite, devotos começaram a chegar à Igreja Matriz de São Jorge, muitos carregando folhas de espada de São Jorge, velas e terços — símbolos de proteção e resistência associados ao santo guerreiro. Outros caminhavam em silêncio ou entoavam orações. Alguns choravam.
Era o início de uma das celebrações mais emblemáticas do calendário religioso carioca — e, neste ano, com um roteiro ampliado que atravessou a madrugada e misturou tradição e inovação. Antes da primeira missa do dia, às 5h, houve um show com drones, que reproduziram uma série de imagens religiosas, inclusive do santo matando um dragão.
Ao todo, mais de 300 drones iluminaram a madrugada. O público reagiu com aplausos, gritos e lágrimas. Em meio à multidão, celulares erguidos tentavam capturar o momento.
A apresentação, com cerca de 20 minutos de duração, antecedeu a tradicional Missa da Alvorada, celebrada às 5h, e marcou a principal novidade da festa em 2026: uma programação contínua ao longo de toda a madrugada.
Para manter o público reunido até o amanhecer, a igreja organizou uma sequência de atividades que começou à meia-noite, com louvores conduzidos pelo padre José Bispo, seguidos de samba devocional com o Grupo Pretensão, oração do Santo Terço, apresentações da Banda dos Fuzileiros Navais e momentos de adoração.
Dentro da igreja, a cena era de devoção intensa. Bancos lotados, corredores ocupados, fiéis ajoelhados no chão. Muitos rezavam em silêncio, outros cantavam.
Ao longo do dia, a programação segue com dez missas, celebradas a cada uma hora e meia — da alvorada até a última, às 19h30. A celebração das 10h será presidida pelo cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Às 16h, a tradicional procissão percorre as ruas do bairro.






