A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que formalizará uma proposta conjunta com o Ministério da Cultura para assumir a gestão do Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, na Zona Sul da capital. O plano prevê o envio de uma carta-proposta ao governador interino do Estado, Desembargador Ricardo Couto, pedindo a transferência do imóvel do patrimônio estadual para o âmbito municipal. O objetivo principal da iniciativa é garantir a reforma integral e a reabertura do tradicional espaço cultural, que está abandonado há 15 anos.
Administrado atualmente pelo Governo do Estado por meio da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj), o teatro está de portas fechadas desde 2011, ano em que foi severamente atingido por um incêndio. Pelo modelo desenhado pelo município, o projeto de restauração e a posterior manutenção do complexo cultural contariam com investimentos combinados das esferas municipal, estadual e federal de governo.
Idealizado pelo empresário Adolpho Bloch, o Teatro Villa-Lobos foi fundado em março de 1979 na Avenida Princesa Isabel. Com uma arquitetura imponente e capacidade original para receber 463 espectadores, o local se consolidou rapidamente como um dos principais eixos produtivos das artes cênicas na capital fluminense.
A trajetória do espaço ficou marcada por estreias históricas e temporadas de grande sucesso comercial e crítico como “Pato com Laranja”, espetáculo de inauguração do espaço, estrelado pelos atores Paulo Autran e Marília Pêra. O local também abrigou montagens de prestígio como “O Ateneu”, “Hotel Paradiso”, “As Cantoras do Rádio”, “Dias Felizes”, “Ensina-me a Viver”, “Ligações Perigosas”, “Don Juan” e a icônica “Ópera do Malandro”.
Da Reforma ao abandono
A decadência do imóvel começou no primeiro semestre de 2011. Em abril daquele ano, a estrutura registrou um princípio de incêndio. Meses depois, em setembro — pouco tempo após passar por uma ampla reforma de modernização —, um segundo incêndio de grandes proporções destruiu completamente as instalações internas, o palco, o mobiliário e os equipamentos técnicos do teatro.
Embora laudos de engenharia da época tenham atestado que as chamas não comprometeram a estrutura estrutural e de alvenaria do edifício principal, o espaço nunca mais recebeu investimentos públicos para reconstrução e permaneceu completamente desativado.










