A Polícia Civil identificou um esquema de armazenamento e distribuição de cargas roubadas no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, durante a Operação Trinus. Segundo os investigadores, criminosos utilizavam comunidades da região como base para diversas atividades ilícitas ligadas ao Terceiro Comando Puro (TCP).
De acordo com a diretora do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), delegada Raissa Celles, as comunidades controladas pela organização criminosa funcionariam como pontos de apoio para suspeitos envolvidos em roubos praticados em diferentes regiões da cidade.
“Essas comunidades estruturam marginais, muitas vezes fornecendo arma e local para esconderijo, para que eles saiam pelas ruas praticando os roubos”, afirmou a delegada durante coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, nesta quarta-feira (10).
Produtos roubados eram vendidos em baile
Os agentes encontraram um grande depósito utilizado para receber produtos roubados trazidos por criminosos de outras localidades. O volume de material apreendido foi tão grande que exigiu o uso de caminhões para a remoção dos itens.
“Foi encontrado um grande depósito com farta quantidade de material roubado que ainda está sendo transportado, porque foi necessário o auxílio de vários caminhões para trazer esse material aqui para a Cidade da Polícia. Essa carga roubada é transportada na comunidade e lá ela é distribuída”, disse Raissa Celles.
A delegada também afirmou que parte da comercialização desses produtos ocorreria durante eventos promovidos em áreas dominadas pela facção.
“Inclusive, até em forma de diversão, porque nessa comunidade, especificamente, é realizado um baile, conhecido como Baile da Disney, e nesse local, onde se finge estar apenas realizando uma festividade para a diversão da comunidade, é utilizado para venda desse material roubado, bebidas alcoólicas, produtos alimentícios, venda de drogas. É um ambiente onde essa facção criminosa ostenta forte poderio bélico”, declarou.
A Operação Trinus reúne policiais civis e militares e tem como objetivo cumprir 56 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão contra suspeitos ligados ao TCP que atuam no Complexo da Maré.
Segundo a Polícia Civil, a investigação consolidou informações sobre diferentes núcleos criminosos ligados à facção, envolvendo não apenas tráfico de drogas, mas também roubos de carga, receptação de celulares, tentativa de homicídio, violência doméstica, posse irregular de armas e crimes contra crianças.
Até a última atualização, 20 pessoas haviam sido presas.
Laboratório de cocaína
Durante a ofensiva, os agentes localizaram um laboratório utilizado para o preparo e a adulteração de cocaína na Vila do João, uma das comunidades que integram o Complexo da Maré.
No local, foram apreendidos recipientes com produtos químicos, equipamentos de vidro, instrumentos de medição, embalagens e substâncias em pó que, segundo as investigações, eram utilizadas no processamento da droga antes da distribuição para venda.
Os policiais também encontraram um caderno com anotações manuscritas contendo instruções relacionadas à preparação da cocaína. O material registrava proporções de substâncias, quantidades empregadas nas misturas e observações sobre o rendimento da produção.
Todo o conteúdo recolhido será submetido à perícia, e a quantidade total de droga produzida ou armazenada no local ainda está sendo apurada.
Impactos na rotina da Maré
A operação provocou reflexos em serviços públicos da região. A Secretaria Municipal de Educação informou que 42 escolas precisaram suspender as atividades.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também interrompeu as atividades presenciais no Campus Maré, adotando o regime remoto para seus funcionários.
Já a Secretaria Municipal de Saúde informou que três unidades de Atenção Primária que atendem moradores da região tiveram o início do funcionamento suspenso e avaliam a retomada dos atendimentos ao longo do dia.










