A Casa da Tia Ciata, sede da organização que preserva a memória de uma das personagens mais importantes da história do samba, é o mais novo patrimônio imaterial das terras cariocas. O reconhecimento foi promulgado pelo presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado (PSD), e publicado no Diário Oficial do Legislativo desta quarta-feira (17).
A norma, de autoria da vereadora Thais Ferreira (PSOL), reconhece o trabalho da Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata (ORTC) na salvaguarda da herança afro-brasileira. Localizada na região da Pequena África, no Centro, a instituição é responsável por preservar e difundir o legado de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, figura central na consolidação do samba carioca e uma das principais lideranças comunitárias na antiga capital do país.
Nascida em Salvador, em 1854, Tia Ciata chegou ainda jovem ao Rio e se tornou uma das principais referências da cultura afro-brasileira na cidade, levando tradições religiosas e musicais ligadas ao candomblé e ao samba de roda.
Quituteira, ialorixá, sambista e líder comunitária, ela ajudou a transformar a região da Praça Onze em um dos mais importantes polos de cultura do início do século XX. Sua residência ficou conhecida por receber músicos, sambistas, capoeiristas, trabalhadores, imigrantes e praticantes de religiões de matriz africana em um período marcado pela perseguição a manifestações culturais negras.
Foi nesse ambiente que surgiram algumas das rodas mais importantes da época, frequentadas por nomes como Pixinguinha, Hilário Jovino, Sinhô e João da Baiana. Pesquisadores apontam a casa de Tia Ciata como um dos principais berços do samba carioca — e cenário da criação de “Pelo Telefone”, registrado por Donga e Mauro de Almeida em 1916 e considerado o primeiro samba gravado no Brasil.










