A estação caracterizada pelas baixas temperaturas chega neste domingo (21/6), mas o carioca pode se preparar para um inverno diferente em 2026. A forte influência do fenômeno El Niño deve trazer mais calor para o período. A expectativa para os próximos meses é de que a cidade registre temperaturas acima da média para o inverno, reduzindo aqueles dias em que os casacos costumam ser vistos com maior frequência pelas ruas da cidade. A previsão é que o El Niño se intensifique entre o final do inverno e a primavera.
“O inverno é caraterizado por ser uma estação mais seca, quando temos uma quantidade menor de chuva. O período também é marcado por episódios de baixa umidade relativa do ar à tarde, ressacas e formação de névoa nas primeiras horas do dia. A menor incidência de radiação solar, favorece a ocorrência de temperaturas mais baixas na madrugada”, explica Mayara Villela, meteorologista do Sistema Alerta Rio, órgão de meteorologia da Prefeitura do Rio.
A temperatura máxima média do inverno na cidade do Rio de Janeiro é 29,5°C, enquanto a mínima é de 15,7°C, segundo dados do Alerta Rio. Em relação à precipitação média histórica, a estimativa é de 191,4 mm de chuva ao longo da estação.
O cenário contrasta com o outono que, apesar de não ter quebrado recordes de frio, foi por amplitude térmica — a diferença entre as temperaturas máxima e mínima em um curto período. Um exemplo desse fenômeno ocorreu no dia 26 de abril, quando o Alto da Boa Vista registrou a mínima de 19,1°C, enquanto a estação de Barra/Riocentro atingiu a máxima de 36,7°C. Ao longo da estação, as condições meteorológicas foram influenciadas pela atuação dos sistemas de baixa pressão, a passagem de frentes frias e os ventos úmidos vindos do oceano.
Termômetros no outono: estabilidade nas noites e máxima de 37°C
Quem teve a sensação de que as noites foram congelantes pode se surpreender com os dados: o comportamento térmico noturno ficou dentro da média histórica. A menor temperatura mínima de todo o outono de 2026 foi registrada na estação Alto da Boa Vista: 11,3°C, na madrugada do dia 6 de junho, às 5h20.
Embora pareça baixa, a temperatura passou longe de quebrar recordes. Na verdade, a média geral das temperaturas mínimas da estação fechou em 17,7°C, o que deixa o outono de 2026 fora do topo dos anos mais frios. No ranking histórico das menores marcas de temperatura mínima registradas no Alto da Boa Vista durante o outono, a deste ano ocupa a quarta posição, empatada com a de 2018:
1° – 8,6°C – Alto da Boa Vista (2016)
2° – 10,0°C – Alto da Boa Vista (2017 e 2025)
3° – 11,0°C – Alto da Boa Vista (2020)
4° – 11,3°C – Alto da Boa Vista (2018 e 2026)
5° – 11,8°C – Alto da Boa Vista (2022)
Por outro lado, o calorão também “deu as caras”. A maior temperatura máxima do outono foi anotada na estação Barra/Riocentro, onde os termômetros marcaram 37,1°C no dia 2 de abril, às 13h25.
Chuva no outono: 45 dias de instabilidade
No balanço de chuvas, o outono de 2026 acumulou uma média de 215,8 mm distribuídos em 45 dias. O volume total posiciona este ano bem distante dos outonos mais chuvosos já registrados na série histórica do Alerta Rio, que mantém o seguinte ranking:
1° – 2019 (617,9 mm)
2° – 2010 (543,1 mm)
3° – 2022 (477,9 mm)
23°- 2026 (215,8 mm)
A distribuição dessa chuva pela cidade, no entanto, foi irregular. Enquanto a estação da Rocinha foi o destaque, acumulando 34% acima da média esperada para a região, a Zona Norte viveu uma realidade oposta. A estação de Piedade foi o ponto mais seco do período, registrando um acumulado de apenas 26% de sua média histórica.
O monitoramento constante das estações reforça o compromisso da Prefeitura do Rio em antecipar e comunicar as variações meteorológicas. Essa estrutura ajuda a preparar a população para os impactos das mudanças no tempo, que a partir de agora segue sob influência do El Niño ao longo do inverno.
O Sistema Alerta Rio, com sede no Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio), monitora as condições meteorológicas em toda a cidade 24 horas por dia e divulga boletins atualizados para o cidadão e para a imprensa por meio das redes sociais (@operacoesrio), do app COR.Rio, do canal de notícias do Centro de Operações no WhatsApp e do site cor.rio.










