O perfil da desconexão digital no Brasil está mudando. Embora ainda representem a parcela da população que menos navega na web, os brasileiros com 60 anos ou mais foram o grupo que registrou o maior crescimento no acesso à internet. Em contrapartida, as crianças de 10 a 13 anos caminharam na direção oposta, consolidando-se como a única faixa etária a apresentar queda no uso da rede e de smartphones. Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, a proporção de internautas na terceira idade saltou de 70,1% para 74,5%. O avanço é ainda mais expressivo quando analisado a longo prazo: desde 2019, o indicador deu um salto de 29,6 pontos percentuais. Para os técnicos do IBGE, o fenômeno está diretamente associado à evolução na usabilidade das plataformas tecnológicas e à presença cada vez mais indispensável dessas ferramentas nas rotinas diárias da sociedade, desde serviços bancários até a comunicação familiar.
O comportamento dos idosos se repetiu no mercado de telefonia móvel. A posse de celular entre as pessoas acima de 60 anos subiu de 78,3% para 80,3%. No espectro oposto, o público infantojuvenil reduziu o ritmo. A utilização da internet por crianças de 10 a 13 anos recuou de 84,9% para 84,4%, enquanto o uso do celular caiu de 56,7% para 55,2%. Entre as justificativas apontadas para o afastamento dos mais novos estão a falta de necessidade, citada por 33,8% dos entrevistados, e uma crescente preocupação de pais e responsáveis com a privacidade e a segurança digital, que motivou 30,3% das respostas.
País ultrapassa a marca de 168 milhões de internautas
Em termos macroeconômicos e sociais, a digitalização do país continua em ritmo de cruzeiro. No panorama geral, o acesso à internet alcançou 90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais, o que representa um contingente de 168,7 milhões de pessoas conectadas — um avanço frente aos 89,2% computados no período anterior.
A pesquisa também mapeou os hábitos de consumo dentro do ambiente virtual. As chamadas de voz ou vídeo lideram a preferência nacional, sendo realizadas por 95,3% dos usuários. Na sequência aparecem a troca de mensagens de texto, voz ou imagens (90,2%), o consumo de vídeos (89,3%), o engajamento em redes sociais (84,9%) e o hábito de ouvir música, rádio ou podcasts (83,7%). A soberania das telas móveis permanece incontestável, visto que 98,7% dos internautas utilizam o telefone celular como principal porta de entrada para a rede.
Redução das desigualdades regionais
Outro ponto de destaque do relatório do IBGE é a desconcentração do acesso. Historicamente privilegiadas, as áreas urbanas ainda mantêm a liderança no índice de conectividade, mas a disparidade em relação às comunidades rurais despencou na última década. A diferença de acesso entre o campo e a cidade, que era de severos 37,5 pontos percentuais na série histórica, encolheu para apenas 8,5 pontos percentuais, sinalizando uma interiorização da infraestrutura de telecomunicações no país.










