O número de casos de antissemitismo no Brasil aumentou 150% desde 2022 e segue em patamar elevado, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (30/03) pela Confederação Israelita do Brasil. Em 2025, foram registradas 989 ocorrências — uma leve queda em relação ao pico de 2024, mas ainda dentro de um cenário considerado preocupante.
O estudo aponta que o fenômeno deixou de ser pontual e passou a integrar o cotidiano, impulsionado principalmente por tensões internacionais recentes. A maior parte dos casos ocorre no ambiente digital, responsável por cerca de 80% dos registros. Só nas redes sociais, foram identificados mais de 115 mil conteúdos antissemitas ao longo do ano, com alcance potencial de até 66 milhões de pessoas.
Além do crescimento em volume, os pesquisadores destacam o aumento na intensidade e agressividade das manifestações. Para especialistas, parte desse avanço está ligada à associação indevida entre conflitos geopolíticos e a responsabilização coletiva de judeus ao redor do mundo.
Dentro da comunidade judaica, os efeitos são sentidos no dia a dia. Segundo o levantamento, 86% dos entrevistados consideram o antissemitismo um problema real no país, e 22% afirmam já ter evitado se identificar como judeus em determinadas situações por medo de sofrer discriminação.
O ambiente educacional aparece como um dos principais focos de preocupação, seguido pelo mercado de trabalho, onde relatos de preconceito também são frequentes. Apesar disso, o número de condenações ainda é baixo, indicando desafios na responsabilização dos casos.
O relatório também chama atenção para o papel das redes sociais na disseminação do discurso de ódio e reforça a necessidade de maior controle e transparência das plataformas para conter a propagação desse tipo de conteúdo.






