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Combustíveis caem pelo terceiro mês seguido

Etanol lidera recuo e ganha competitividade em 17 estados

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Os preços médios dos combustíveis registraram queda pelo terceiro mês consecutivo em agosto, mantendo a trajetória de recuo iniciada em junho. O etanol foi o combustível que apresentou a maior redução no período, com queda de 2,06% em relação a julho, segundo levantamento da ValeCard, empresa especializada em soluções de mobilidade e meios de pagamento.

A gasolina ficou 0,68% mais barata, enquanto o diesel S-10 registrou redução média de 0,51%. Os dados foram consolidados a partir de transações realizadas entre os dias 1º e 26 de agosto em mais de 25 mil postos credenciados em todo o país.

No acumulado desde maio, o etanol também lidera as reduções. O preço do biocombustível caiu 7,45% no período, enquanto a gasolina recuou 1,21% e o diesel S-10, 1,97%.

Na média nacional, a gasolina passou de R$ 6,821 por litro em julho para R$ 6,774 em agosto, redução de cerca de cinco centavos. O etanol caiu de R$ 4,365 para R$ 4,275, recuo de nove centavos por litro. Já o diesel S-10 passou de R$ 7,196 para R$ 7,159.

Para Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, agosto confirmou o protagonismo do etanol no movimento de queda dos combustíveis.

“A redução superior a 2% na média nacional amplia sua competitividade e demonstra como a dinâmica de oferta do biocombustível continua sendo um fator importante para aliviar os custos de abastecimento”, afirmou.

Etanol se torna mais vantajoso

Impulsionado pelo período de safra sucroenergética e pela maior disponibilidade no mercado, o etanol teve queda de preço em 25 estados. As únicas altas foram registradas no Distrito Federal, de 4,70%, e em Sergipe, de 0,13%.

O Rio Grande do Sul apresentou a maior redução percentual, de 5,55%. São Paulo manteve o menor preço médio do país, a R$ 3,865 por litro, enquanto Sergipe registrou o maior valor, de R$ 5,537.

A queda também aumentou a competitividade do etanol para os proprietários de veículos flex. Considerando a referência de que o biocombustível é vantajoso quando custa até 70% do valor da gasolina, o etanol compensou em 17 estados em agosto. Em julho, eram 13 estados e, em junho, apenas dez.

Os melhores índices de competitividade foram registrados em Roraima, onde o etanol representou 54% do preço da gasolina; Mato Grosso, com 56%; e Amapá e São Paulo, ambos com 59%.

Gasolina cai em 19 estados

A gasolina ficou mais barata em 19 estados. A maior redução foi registrada na Bahia, com queda de 1,83% em agosto. Desde maio, o estado acumula recuo de 3,89%.

Também se destacaram as quedas no Rio Grande do Norte, de 1,75%; Rio Grande do Sul, 1,29%; Goiás, 1,26%; e Pernambuco, 1,24%.

Na direção contrária, o Distrito Federal registrou a maior alta do país, de 4,04%, seguido pelo Amapá, com 1,94%, e Amazonas, com 1,64%.

Diesel revela diferença entre Norte e Sul

O diesel S-10 apresentou queda em 19 estados, com as maiores reduções em Pernambuco, de 1,88%, e na Paraíba, de 1,71%.

No entanto, o cenário foi diferente na Região Norte. Acre, Amazonas, Amapá e Roraima registraram aumentos consecutivos nos meses de junho, julho e agosto.

No Acre, o diesel S-10 acumulou alta de 11,59% desde maio, passando de R$ 7,378 para R$ 8,233 por litro, o preço mais alto do país.

No extremo oposto, o Rio Grande do Sul registrou o menor valor médio nacional, de R$ 6,368. A diferença entre os dois estados chega a R$ 1,865 por litro, evidenciando o impacto dos custos logísticos sobre o preço final dos combustíveis.

A ValeCard destaca que os valores cobrados nas bombas são influenciados por diversos fatores, como custos de distribuição, margens de revenda, tributos e a mistura obrigatória de biocombustíveis.

Segundo o levantamento, a decisão do governo federal de prorrogar temporariamente a subvenção à gasolina até 9 de setembro também ajudou a conter pressões de alta no fim de agosto.

Apesar do cenário de queda, a empresa alerta que o mercado continua sujeito à variação das cotações internacionais do petróleo, à volatilidade do dólar e às condições da safra. Esses fatores devem influenciar o comportamento dos preços dos combustíveis nos próximos meses.