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Desmatamento na Mata Atlântica cai 28% e atinge menor índice da série histórica

Redução nas áreas devastadas chega a 40% em florestas maduras, segundo levantamento da SOS Mata Atlântica e do Inpe

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A área desmatada na Mata Atlântica registrou queda de 28% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo dados divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica. O total de vegetação suprimida passou de 53,3 mil hectares em 2024 para 38,3 mil hectares no ano passado — o menor índice da série histórica monitorada pela entidade.

Os números fazem parte do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido em parceria com a MapBiomas e a Arcplan.

O levantamento aponta redução do desmatamento em 11 dos 17 estados que compõem o bioma, com destaque para Bahia e Piauí. Apesar da queda, os estados que mais perderam cobertura vegetal em 2025 foram Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul, responsáveis por 89% de toda a área devastada.

Segundo a SOS Mata Atlântica, cerca de 96% das áreas desmatadas foram destinadas à agropecuária, em grande parte com indícios de irregularidades.

Outro levantamento, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, produzido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mostrou uma redução ainda maior nas florestas maduras: 40% de queda no desmatamento, passando de 14,3 mil hectares para 8,6 mil hectares em um ano.

De acordo com as entidades, é a primeira vez, em quatro décadas de monitoramento, que a devastação anual de florestas maduras fica abaixo de 10 mil hectares.

A SOS Mata Atlântica atribui os resultados a ações de fiscalização ambiental, pressão da sociedade civil, aplicação de embargos remotos e restrições de crédito para áreas desmatadas ilegalmente, além do fortalecimento da Lei da Mata Atlântica.

Apesar da melhora nos indicadores, especialistas alertam que o bioma segue ameaçado. O diretor executivo da fundação, Luis Fernando Guedes Pinto, destacou que a preservação precisa avançar até que o desmatamento seja zerado.

A entidade também criticou mudanças recentes aprovadas no Congresso relacionadas ao licenciamento ambiental, avaliando que as medidas podem enfraquecer os mecanismos de proteção justamente em um momento de redução consistente da devastação.