O cenário político após o fim da janela partidária acendeu um alerta entre especialistas: até o momento, não há mulheres entre as pré-candidaturas à Presidência da República. Caso esse quadro se mantenha, a eleição de 2026 será a primeira desde 2002 disputada exclusivamente por homens.
Entre os nomes já colocados na corrida estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e outros seis pré-candidatos, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de Aldo Rebelo (DC), Renan Santos (Missão), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Augusto Cury (Avante).
O cenário contrasta com o pleito de 2022, que teve quatro mulheres na disputa — o maior número neste século. Apesar da presença feminina constante nas últimas eleições, especialistas apontam que a participação ainda enfrenta limitações estruturais dentro dos partidos.
Segundo análises, mesmo quando lançadas, candidaturas femininas costumam ter menor apoio político e financeiro. A predominância masculina nas instâncias de decisão das legendas é apontada como um dos principais entraves para o avanço de mulheres em cargos de maior visibilidade.
Embora a legislação eleitoral estabeleça cotas de gênero para eleições proporcionais, como as de deputados e vereadores, a regra não se aplica à disputa presidencial. Isso reduz o impacto das políticas de incentivo à participação feminina no cargo mais alto do Executivo.
Outro fator observado é o deslocamento do protagonismo político para figuras como primeiras-damas, que ganham visibilidade, mas não necessariamente ocupam posições eletivas. Especialistas avaliam que isso contribui para a ausência de referências femininas competitivas na corrida presidencial.
Para analistas, a possível ausência de mulheres na disputa levanta preocupações sobre a qualidade da representatividade e do debate democrático no país. Ainda assim, o cenário pode mudar até o início oficial da campanha, com a eventual entrada de novas candidaturas.






