A Prefeitura do Rio vai iniciar na próxima terça-feira as reuniões públicas do CompStat, ferramenta de análise de dados que orientará o planejamento da segurança urbana e a atuação da Força Municipal. O foco inicial será em 22 áreas prioritárias da cidade com altos índices de roubos e furtos, onde os 600 agentes da Guarda Municipal passarão a atuar armados a partir de março.
Os encontros serão abertos à imprensa e servirão para definir estratégias de patrulhamento com base em estatísticas criminais. A Secretaria de Segurança Urbana já concluiu o mapeamento das regiões mais sensíveis, que serão divulgadas nos próximos dias.
A nova tropa de elite da Guarda Municipal começa a operar com efetivo ainda reduzido, formado pelas primeiras turmas treinadas por instrutores da Universidade da Polícia Rodoviária Federal na academia do grupamento em Irajá. Segundo a prefeitura, 97% dos agentes alcançaram grau de excelência nos testes de tiro.
Atuação será concentrada por até 90 dias nas áreas críticas
O secretário extraordinário de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, afirmou que o planejamento prevê a permanência dos agentes por até 90 dias nas regiões previamente delimitadas, com possibilidade de redistribuição conforme a evolução dos indicadores de criminalidade.
A criação do novo modelo exigiu mudanças na estrutura da Guarda Municipal. Pelo Estatuto Nacional das Guardas Municipais, cargos de chefia devem ser ocupados por servidores de carreira, o que levou à reformulação administrativa e à transferência da coordenação da corporação para a Secretaria de Segurança Urbana.
A medida foi considerada necessária para viabilizar a concessão do porte de arma aos agentes pela Polícia Federal.
Modelo segue estratégia de Nova York baseada em dados
O programa é inspirado no CompStat de Nova York, que desde 1994 utiliza estatísticas para orientar ações policiais e otimizar o emprego do efetivo. No ano passado, técnicos da prefeitura visitaram a cidade americana para conhecer o sistema.
O atual chefe de polícia de Nova York e ex-coordenador do CompStat, Michael LiPetri, esteve no Centro de Operações Rio para conhecer o Civitas, sistema de videomonitoramento que dará suporte às ações da Força Municipal.
Segundo o prefeito Eduardo Paes, a proposta é levar o agente para as ruas com planejamento preciso:
— O que queremos com o CompStat é que o guarda saiba exatamente como atuar, mostrando que é possível avançar no combate à criminalidade — afirmou.
Distribuição de efetivo seguirá horários com mais crimes
A estratégia também prevê concentração de agentes nos dias e horários com maior incidência criminal, replicando o modelo americano de gestão de segurança.
De acordo com LiPetri, a redução das manchas criminais em Nova York ocorreu a partir da análise detalhada de quando e onde os crimes aconteciam, permitindo ajustar escalas e direcionar o patrulhamento.
Com o início das operações previsto para março, a expectativa da prefeitura é que o uso de inteligência de dados, aliado ao videomonitoramento e ao patrulhamento armado, aumente a presença nas áreas mais críticas e contribua para a redução dos índices de criminalidade.






