A maioria da população brasileira concorda com a decisão judicial que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro por razões médicas. De acordo com levantamento inédito realizado pela Ipsos em parceria com o Ipec, 56% dos entrevistados aprovam a medida (38% totalmente e 18% em parte), enquanto 35% manifestaram discordância.
O estudo revela que, embora a polarização política ainda dite o tom das opiniões, o apoio à permanência do ex-presidente em casa ultrapassa as barreiras ideológicas, alcançando inclusive uma parcela significativa da base governista.
Polarização e recortes regionais
O alinhamento eleitoral de 2022 permanece como o maior divisor de águas nos dados:
- Eleitores de Bolsonaro: 69% apoiam a domiciliar.
- Eleitores de Lula: 52% também concordam com a medida, superando os 42% que preferiam a prisão em regime fechado.
Geograficamente, a aprovação é mais expressiva no Sul (61%) e no interior (58%). Em cidades com menos de 50 mil habitantes, o apoio chega a 60%, contrastando com os 50% registrados nas grandes metrópoles e capitais.
A pesquisa também questionou o que deve acontecer após os 90 dias previstos para o tratamento médico domiciliar. O cenário mostra um país dividido, mas com leve vantagem para a permanência na residência:
- 49% defendem que Bolsonaro continue em casa.
- 42% acreditam que ele deve retornar ao complexo da Papudinha.
Neste quesito, o abismo político se aprofunda: 82% dos bolsonaristas querem a manutenção do benefício, enquanto 69% dos eleitores de Lula exigem o retorno à prisão. “O voto de 2022 segue como o principal preditor de opinião”, analisa Márcia Cavallari, diretora-geral do Ipsos-Ipec.
O levantamento foi realizado entre 8 e 12 de abril de 2026, com 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%.






