O eleitorado fluminense enviou um recado claro sobre o futuro político do estado: a legitimidade para o comando do Palácio Guanabara deve vir das urnas, e não de articulações parlamentares. Segundo levantamento da Vetor Arrow Pesquisa, realizado para a Agenda do Poder, 59,54% dos entrevistados defendem a realização de uma nova eleição direta para definir o próximo governador do Rio de Janeiro.
O desejo pelo voto popular supera com folga a alternativa de uma eleição indireta, realizada pela Assembleia Legislativa (Alerj), que conta com o apoio de apenas 25,33% dos eleitores. Outros 15,13% não souberam opinar. Os números sugerem uma forte rejeição a soluções “costuradas” nos bastidores do poder, evidenciando que a população busca participação direta na resolução da crise sucessória.
Percepção de crise grave
A instabilidade política não é vista como um problema menor. Para a maioria dos fluminenses (60,94%), o estado vive uma “crise grave” devido à ausência de um governador eleito. Outros 19,20% classificam o cenário como preocupante, porém controlável, enquanto 19,86% afirmam que a situação não impacta o seu cotidiano.
Essa sensação de gravidade é uniforme em todo o território. Tanto na capital quanto no interior, o desgaste político é sentido de forma semelhante, mostrando que a crise rompeu as bolhas da Região Metropolitana e atingiu todas as regiões do estado.
Desconfiança no Judiciário
Ao apontar culpados pelo impasse, o eleitorado fluminense direcionou suas críticas principalmente ao Poder Judiciário. De acordo com a pesquisa, 44,19% dos entrevistados apontam o Supremo Tribunal Federal (STF) como o principal responsável pela incerteza política no Rio.
O índice de culpabilização da Corte supera a responsabilidade atribuída à classe política: 33,21% culpam partidos de direita e 22,60% apontam partidos de esquerda como os pivôs da instabilidade.
Pressão por definições
O levantamento, que ouviu 2 mil eleitores, desenha um retrato de um estado em espera, mas impaciente. A combinação entre a percepção de uma crise profunda e a desconfiança nas instituições reforça a pressão por uma solução rápida.
Para a maior parte da população, qualquer saída para o Palácio Guanabara que ignore o voto direto poderá nascer com um déficit de legitimidade popular.






