Quinze anos após o Massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, o crime volta a ser analisado sob novas perspectivas, com destaque para a misoginia como um dos possíveis fatores centrais da tragédia.
Em 7 de abril de 2011, um ex-aluno invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, e matou 12 estudantes, com idades entre 13 e 15 anos — sendo 10 meninas e 2 meninos. Outras dez pessoas ficaram feridas. O autor do ataque se suicidou após ser baleado por policiais.
Na época, o episódio foi amplamente associado ao bullying, versão que ganhou força inclusive com a criação do Dia Nacional de Combate ao Bullying. No entanto, pesquisadoras e especialistas apontam que a motivação pode ter sido mais complexa, envolvendo ódio direcionado às mulheres.
Entre os indícios estão o perfil das vítimas e relatos de testemunhas, que indicam que o atirador teria mirado de forma mais letal nas meninas. Também foram identificados sinais de ligação com comunidades virtuais que propagam discursos misóginos e extremistas.
Estudos sobre violência em escolas mostram que todos os ataques registrados no Brasil entre 2001 e 2024 foram cometidos por homens, muitos deles influenciados por ideologias de ódio, frustração e discursos de superioridade masculina.
Especialistas destacam que a misoginia, combinada a fatores psicológicos e sociais, pode contribuir para processos de radicalização, especialmente entre jovens que encontram nessas comunidades um sentimento de pertencimento.
Diante desse cenário, pesquisadores defendem ações integradas que envolvam escola, família, saúde mental e políticas públicas, além de maior atenção ao ambiente digital.
O caso de Realengo permanece como um dos episódios mais marcantes de violência escolar no país e segue levantando debates sobre prevenção e enfrentamento desse tipo de crime.
*Informações Agência Brasil






