A estátua do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, instalada na Praia de Botafogo, Zona Sul do Rio, foi novamente alvo da ação de criminosos. Desta vez, o monumento teve as mãos furtadas, marcando o sexto episódio de vandalismo desde a sua inauguração, em 2024. O crime foi registrado por pedestres que passavam pela orla na altura da Rua São Clemente.
A Secretaria Municipal de Conservação confirmou o dano e ressaltou a recorrência dos ataques à obra feita em bronze. Em fevereiro deste ano, a escultura já havia sofrido uma perda simbólica importante: o furto do beija-flor metálico que compunha a peça. O pássaro remetia à famosa fábula frequentemente narrada por Betinho, sobre o esforço individual e coletivo para apagar um incêndio, gota a gota.
Medidas de proteção
Em nota, a Prefeitura do Rio informou que registrará a ocorrência na delegacia da região e que equipes técnicas da Conservação estão avaliando medidas para reforçar a segurança do monumento. Até o momento, no entanto, não há um prazo definido para a reposição das partes furtadas ou para a restauração completa da obra.
Legado sob ataque
O local escolhido para a homenagem não foi aleatório. Botafogo foi o bairro onde Betinho viveu e onde fundou o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Atualmente, o Ibase e a Ação da Cidadania — outra criação do sociólogo — operam na Gamboa, na Zona Portuária.
Falecido em 1997, Betinho deixou um legado que transcende gerações. A Ação da Cidadania, sua principal iniciativa, já distribuiu mais de 55 mil toneladas de alimentos, beneficiando cerca de 26 milhões de brasileiros. A ONG é responsável pelo “Natal Sem Fome”, a maior campanha de arrecadação solidária da América Latina, além de atuar em frentes de emergência para vítimas de desastres naturais.
Para quem deseja conhecer mais sobre a trajetória do ativista, sua vida é retratada na série biográfica “Betinho: No Fio da Navalha”, disponível na plataforma de streaming Globoplay.






