O mercado do Carnaval carioca foi sacudido na noite desta sexta-feira (27) com o anúncio da contratação de Renato Lage pelo Paraíso do Tuiuti. Após amargar o antepenúltimo lugar no desfile deste ano, a agremiação de São Cristóvão aposta no carnavalesco — carinhosamente apelidado de “Mago” — para liderar seu projeto de 2027. O acordo foi selado em reunião com o presidente Renato Thor e o diretor-executivo Bruno Valle.
Lage, cuja trajetória se confunde com a modernização do espetáculo na década de 1990, terá sua apresentação oficial em abril, durante a festa de aniversário da escola.
O fim de uma era em Padre Miguel
A contratação ocorre dias após a Mocidade Independente de Padre Miguel anunciar a saída do artista. Renato Lage é o maior vencedor da história da Estrela Guia no Grupo Especial, tendo assinado três dos seis títulos da escola (1990, 1991 e 1996).
O retorno do Mago à Vila Vintém em 2024, no entanto, foi marcado por adversidades. Além dos resultados aquém das expectativas (penúltimo lugar em 2024 e 11º em 2025), o carnavalesco enfrentou o luto pessoal com a perda de sua esposa e parceira de criação, Márcia Lage, às vésperas do desfile do ano passado.
A polêmica da ‘Padroeira’
O desfile de 2025 da Mocidade, que homenageou Rita Lee, foi aclamado pelo público pela inventividade da comissão de frente de Marcelo Misailidis, que trouxe bruxas voadoras em triciclos. No entanto, o julgamento oficial gerou revolta na cúpula da escola.
A jurada Mônica Mançur tirou quatro décimos da agremiação no quesito Enredo, alegando que o termo “Padroeira” — usado no título do enredo — desconstruía o caráter libertário de Rita Lee por ser um título de ordem convencional ou religiosa. A Mocidade rebateu duramente nas redes sociais, lembrando que a própria cantora se autodenominava “padroeira da liberdade” em entrevistas, preferindo o título ao de “rainha do rock”.
O Desafio no Tuiuti
Com quatro títulos no Grupo Especial no currículo (três pela Mocidade e um pelo Salgueiro, em 2009), Renato Lage chega ao Tuiuti com a missão de recuperar o fôlego plástico da escola. Conhecido pelo uso magistral de materiais alternativos, estruturas metálicas e iluminação, o carnavalesco é visto como a peça-chave para tirar a azul e amarelo das posições de baixo da tabela e devolvê-la ao Sábado das Campeãs.






