A Polícia Federal concluiu que o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, acumulou influência sobre decisões consideradas atribuições diretas do governador do estado, incluindo a indicação de nomes para secretarias estratégicas do governo fluminense.
As informações constam em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de loteamento político de órgãos estaduais, relações entre agentes públicos e possíveis esquemas de corrupção.
Na última semana, um dos desdobramentos da operação resultou na prisão do deputado estadual Thiago Rangel, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com a Polícia Federal, durante a gestão de Bacellar na Assembleia Legislativa, a Alerj ampliou sua atuação sobre setores considerados estratégicos do Executivo estadual.
No relatório enviado ao STF, os investigadores afirmam que o então presidente da Casa passou a interferir em decisões tradicionalmente atribuídas ao governador do estado.
A PF destacou que a influência alcançava indicações para secretarias importantes do governo, como Fazenda, Assistência Social, Educação, Polícia Militar e até a Polícia Civil em determinado momento.
Apesar da citação direta às áreas estratégicas, o documento não detalha quais secretários teriam sido indicados por Bacellar nem apresenta registros formais dessas nomeações.
As conclusões da investigação ganharam força após a apreensão de um computador na sala do então chefe de gabinete de Bacellar, Rui Carvalho Bulhões Júnior, durante a Operação Unha e Carne.
Segundo a PF, a análise do material revelou uma planilha contendo nomes de deputados estaduais, órgãos públicos controlados politicamente e pedidos por novos espaços dentro do governo estadual.
Entre os órgãos citados no documento aparecem o Detran, Faetec, Fundação Leão XIII, Ipem, Setrab, além de estruturas regionais da Saúde e postos avançados do governo estadual.










