A Polícia Federal identificou inconsistências em laudos de exames cadavéricos relacionados à megaoperação realizada contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, em outubro do ano passado. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e constam em documento encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a PF, os laudos elaborados pela Polícia Civil do Rio apresentam lacunas e ausência de informações consideradas essenciais para a análise completa dos casos. Apesar disso, os investigadores afirmam que o material está sendo revisado e que relatórios detalhados devem ser concluídos em até 90 dias.
A corporação informou que solicitou à Polícia Civil a complementação dos dados faltantes. A intenção é reavaliar cada uma das mortes registradas durante a operação, cruzando os laudos com exames de necropsia e outros elementos disponíveis.
A investigação é um desdobramento de problemas já identificados anteriormente pela PF, que apontoufalhas técnicas e lacunas em vídeos enviados pela Polícia Civil. Além disso, a Polícia Federal destaca que ainda não recebeu imagens produzidas pela Polícia Militar, o que dificulta a reconstrução completa do que ocorreu.
Segundo os investigadores, cerca de 400 horas de gravações foram entregues, mas parte do material apresentou falhas, como arquivos com erro de leitura e ausência de códigos de verificação — elementos importantes para garantir a autenticidade das imagens.
Essas inconsistências reforçam a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre a operação, que já é alvo de questionamentos devido à sua letalidade e à falta de transparência em alguns registros.
Operação mais letal do país
Batizada de “Contenção”, a ação foi deflagrada com o objetivo de cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo lideranças de outros estados que estariam escondidas na região.
O saldo da operação foi de 122 mortos — sendo 117 suspeitos e cinco policiais —, tornando o episódio o confronto policial mais letal da história do Brasil. A dimensão do caso e as inconsistências apontadas pela PF colocam a operação sob escrutínio das autoridades e do Judiciário.






